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Optimismo prudente em Aljustrel

Mineiros e autarquia aguardam por informações mais consistentes sobre a reabertura das minas de zinco.

O acordo para a compra da Pirites Alentejanas pela MTO dos irmãos Carlos e Jorge Martins (principais accionistas da Martifer) esteve quase para não se realizar mas, já muito perto do final da passada semana o fumo branco saiu da sala de negociações entre aquela empresa e a Lundin Mining, com a intermediação do ministro da Economia, Manuel Pinho.

Uma fonte ligada ao processo disse que chegou a ver "o caso malparado" mas, "depois tudo terminou bem", e o ministro da Economia pôde anunciar finalmente ao país a continuidade da actividade nas minas de Aljustrel. Para quando? Ainda não se sabe muito bem.

Contactado pelo Expreso, Manuel Pinho preferiu não acrescentar mais nada. Comportamento idêntico teve a Martifer, que se remeteu ao silêncio, perante a insistência do Expresso.

José Godinho, presidente daquela autarquia alentejana, confessa que ficou muito admirado quando o ministro se deslocou a Aljustrel na sexta-feira da semana passada para anunciar a boa-nova. "Olho para tudo isto com um optimismo prudente. Aliás, ficou de ser assinado o contrato-promessa de compra e venda da exploração durante esta semana e, até agora (quinta-feira), nada aconteceu e mais nada nos foi comunicad".

No entanto, o autarca diz que "face à situação actual, registamos como positivos todos os esforços tendentes à reactivação das minas". Algum do cepticismo de José Godinho assenta no facto de à MTO não ser conhecida tradição no sector extractivo.

Um analista do sector explicou, porém, que desde o início do ano aquela empresa andava à procura de uma mina de cobre para comprar, tendo mesmo ido ao Chile em busca de uma oportunidade. E foi por essa altura que a MTO soube, por uma notícia publicada no Expresso, que o Governo admitia a hipótese de entregar a exploração da mina do Gavião - perto de Aljustrel - a quem se mostrasse interessado.

A empresa dos irmãos Martins chegou-se à frente e acabou por adicionar ao 'pacote' a exploração de Aljustrel, da Pirites Alentejanas. "Naturalmente que a negociação foi dura. A MTO acabou por fazer um bom negócio porque o investimento de base está feito, só na secção de lavaria dos minérios foram investidos €30 milhões", relatou ao Expresso uma fonte próxima do processo.

Mas os mineiros que agora estão sem trabalho em Aljustrel ainda desconhecem em absoluto a estratégia da MTO para as minas. Luís Sequeira, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, e Luís Peixeiro, representante da Comissão de Trabalhadores dos Mineiros de Aljustrel, confessaram ao Expresso que vão aguardar com serenidade por mais notícias. Aliás, irão estar presentes no dia 17 numa audiência solicitada pela Assembleia da República ao ministro da Economia, onde serão revelados mais pormenores sobre o investimento.

"Fundamentalmente queremos saber quando serão retomados os trabalhos, quantos dos mineiros que estavam a recibo verde verão a sua situação regularizada e quais são as intenções da empresa para o longo prazo", nota Luís Peixeiro, da Comissão de Trabalhadores.

O sindicalista Luís Sequeira refere ainda que "anunciaram que iriam precisar de mais pessoas do que as que já trabalhavam na mina. Parece bom de mais para ser verdade. Mas vamos acreditar".

195

era o número de trabalhadores nas minas de Aljustrel antes da paragem; destes, pouco mais de 40 faziam parte dos quadros da Pirites Alentejanas, os restantes estavam a recibo verde

800

pessoas estão a ser afectadas pelo encerramento da Pirites Alentejanas; dezenas de lojas de comércio local estão a ser já prejudicadas pela falta de poder de compra agora sentida em Aljustrel

Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Dezembro de 2008