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Obras públicas 'emigram' para escapar à crise

Os países da África Austral, do Magrebe e da América do Sul, são cada vez mais vistos como a solução de salvamento das empresas de obras públicas.

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

A ANEOP (Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas) apela ao Governo para apoiar a sua actividade das empresas do sector nos mercados externos. "As empresas de obras públicas estão expostas a uma crise interna e internacional", alerta Manuel Agria, vice-presidente da ANEOP, ao citar Angola como situação mais grave: "há um ano que as empresas não recebem. A crise é diferente da europeia, mas é consequência da descida do preço do petróleo. Por outro lado, os portugueses começam a enfrentar a competição das empresas chinesas e indianas, que praticam preços de dumping (abaixo do custo)".

Fruto da diversificação das suas actividades, as empresas do sector das obras públicas viraram-se para os países da África Austral, do Magrebe (Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia), e da América do Sul (sobretudo, no Brasil). Nos últimos 10 anos, a exposição externa destas empresas cresceu, em média, 28%. "A facturação das três maiores empresas no exterior - Soares da Costa, Mota-Engil e Teixeira Duarte - é maior do que a da Autoeuropa", frisa Manuel Agria.

"Para ter sucesso no Mundo, é aqui que as empresas têm de ganhar as suas competências", acrescenta o vice-presidente da ANEOP, apreensivo com "a ausência de uma definição do Governo em matéria de obras públicas e as alterações que se sucedem a uma velocidade vertiginosa. Tem de haver clareza de estratégia. Que não haja tibiezas!".

Na opinião do vice-presidente da ANEOP, as recentes medidas de suspensão de obras públicas anunciadas pelo Governo "podem ter efeitos num sector que é o maior empregador do país - 10 a 12% da força activa - e que perdeu mais de 50 mil empregos nos últimos anos".

Apelo a uma visão estratégica

"A ANEOP não tem nenhuma posição corporativa. Compreendemos que o país está numa situação difícil e complicada. Não estamos fora do barco", sublinha Manuel Agria. O mesmo responsável pede uma maior "consciencialização dos agentes políticos", a um "acordo de princípio de regime" e à definição de uma "visão estratégica para o país. Cada governo que entra deita fora os planos do anterior. Não há continuidade na vida política", lamenta.

Manuel Agria está, igualmente, preocupado com as perdas sofridas pelas empresas: "Emada proposta para o aeroporto ou para a terceira travessia do Tejo, são 10 milhões de euros que se perdem. Alguns projectos, nomeadamente, na rede rodoviária foram totalmente abandonados. Outros terão sido adiados. Ninguém acredita que o TGV vá acabar no Poceirão...".