Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

O negócio milionário das casas de luxo em Portugal

Quinta, Granja (Vila Nova de Gaia) €11 milhões é o preço pedido. Mas a casa mais cara de todas fica em Sintra e o preço pedido são 40 milhões

Palacetes em Sintra, moradias de sonho com vista direta para o mar, quintas com dezenas de hectares no verde Minho e até um castelo feito à medida para milionários no Algarve. As casas mais caras à venda em Portugal podem chegar aos 40 milhões de euros. E estão a ser compradas por estrangeiros.

Há mais casas de luxo à venda em Portugal - um stock que cresceu com a crise - e palacetes e solares de sonho que facilmente chegam aos vários milhões de euros. Quem os está a vender são essencialmente famílias apanhadas pela recessão ou em processos de partilha de heranças e também bancos e empresas que têm na sua posse imóveis que exigem elevados gastos de manutenção não compatíveis com o atual momento de contenção.

Apesar da vontade de vender, a discrição é uma das condições impostas pelos proprietários às agências imobiliárias especializadas neste mercado. Frequentemente exigem confidencialidade e a divulgação do preço apenas a quem tem de facto perfil para comprar. O imóvel mais caro à venda em Portugal custa 40 milhões de euros e situa-se em Sintra mas não existe autorização para publicar fotos ou mais informação. O nosso ponto de partida foram assim as casas mais caras, com valores e dados passíveis de serem divulgados.

Na Sotheby's,  o imóvel de maior valor, livre de contratos de confidencialidade,  pertence à famosa família francesa Schlumberger, que acumulou fortuna nos negócios do petróleo. À venda por €17,5 milhões, a Quinta do Vinagre, em Colares, Sintra, foi palco de festas míticas que rivalizavam com as organizadas pelo fundador da Quinta Patino e atraíam figuras tão mediáticas como os Duques de Windsor, Audrey Hepburn ou Gina Lollobrigida.  

Quinta do Vinagre, Colares (Sintra) €17,5 milhões

Quinta do Vinagre, Colares (Sintra) €17,5 milhões

Fundada no sec. XVI pelo Bispo de Silves e Lamego, a quinta estende-se por verdejantes 42 hectares do Parque Natural de Sintra, acolhendo na sua área dois palácios, piscina, campo de ténis, capela e 7 hectares de vinha e respetiva adega. 

"Todos os imóveis, como este e que estão acima dos cinco milhões de euros atraem  essencialmente clientes estrangeiros", aponta Gustavo Soares, administrador da Sotheby's. E quem os quer comprar, e dependendo da sua localização, poderá dar-lhes um uso que não somente o privado. "Muitas vezes são imóveis que acabam por ser comprados por investidores que os adaptam a hotéis, condomínios habitacionais e, no caso, dos palacetes no centro de Lisboa, por exemplo, são também reconvertidos em escritórios de empresas ou embaixadas". 

Enquadrado neste perfil está o imóvel mais valioso da Sotheby's no centro de Lisboa. A propriedade que está localizada muito perto da Avenida da Liberdade, na rua do Salitre, está a ser vendida por €12,5 milhões e abrange dois imóveis apalaçados e um precioso jardim, pequeno oásis no meio da cidade, onde não falta sequer uma casa dos caseiros e um pavilhão de caça. 

Palacete na rua do Salitre, Lisboa €12,5 milhões

Palacete na rua do Salitre, Lisboa €12,5 milhões

O imóvel de maior valor da Remax Collection, marca do grupo Remax orientada exclusivamente para o luxo, é também um palacete em Sintra de €11 milhões. Mas o mais peculiar é, sem dúvida, o segundo da lista: à venda por nove milhões, o Castelo do Moinho é uma construção referencial por terras algarvias, quando se passa na autoestrada A22, perto da saída de Loulé. Edificada como um castelo com muralhas, torres, salões de 200 m2 e um pátio de 1000 m2 (com vista panorâmica para o mar), a casa respeitou as características das construções medievais. 

Castelo do Moinho, Loulé, €9 milhões

Castelo do Moinho, Loulé, €9 milhões

 A crise fez aumentar muto a oferta de imóveis, de todo o tipo de imóveis, para todo o tipo de cliente. Uma diversidade que veio também acompanhada de flexibilidade de preços.

Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal lembra que "entre 2008 e 2012 os preços dos imóveis desceram em todos os mercados - no luxo e fora do luxo'. 

E que resultaram em boas oportunidades para quem comprou. Se 10% de descida de preços numa casa de €100 mil corresponde a um desconto generoso, imagine-se numa casa de um milhão, por exemplo. "Estamos a falar logo de €100 mil euros. E houve casos em que as casas estavam muito fora do preço de mercado e aí chegou a haver descidas na ordem dos 40%", reforça esta responsável.

Manuel Neto, da Engel &Volkers das lojas de Lisboa e Cascais tem casos idênticos para partilhar. A propriedade mais cara que a agência já vendeu foi transacionada há dois anos no pico da crise. O preço inicial da moradia, localizada na Quinta da Marinha, era de 12 milhões. "Mas acabou por ser vendida por sete. Nesse período, houve muitas correções de preço mas agora o mercado já estabilizou", sublinha.

 

Estrangeiros que não querem vistos gold Se é certo que a procura vem essencialmente de estrangeiros, não surge forçosamente de quem pretende conseguir o tão propalado visto gold, mais motivado para casas de meio milhão de euros e para o seu arrendamento imediato que confere boas taxas de rentabilidade. 

"Estes imóveis atraem outro tipo de clientes. Pessoas que querem mesmo viver e desfrutar das casas e de Portugal. No nosso caso, temos clientes árabes e russos mas também brasileiros, americanos ou pessoas do Norte da Europa", conta o responsável da Engel&Volkers. É para estes compradores que se encaixa a casa mais cara da carteira da Engel (e fora do abrigo da confidencialidade): custa €13 milhões e está edificada perto da praia, na Guia, em Cascais. A moradia de estilo senhorial, dos anos 30, edificada estrategicamente frente ao mar, está inserida num lote de 15.300m2. Esta ampla área acolhe não só um jardim bem cuidado, mas ainda uma outra casa mais pequena utilizada como alojamento dos empregados e ainda um campo de ténis e uma piscina de água salgada, abastecida diretamente pelo mar.

Casa na Guia, Cascais, €13 milhões

Casa na Guia, Cascais, €13 milhões

Nem só no distrito de Lisboa e no Algarve se vendem imóveis de vários milhões de euros.

A norte, a Luximo's associada da Christie´s International Real Estate, tem no seu portfólio quintas com paisagens de sonho no Douro, palacetes luxuosos na Invicta e solares beirões. O imóvel de maior valor da sua carteira é uma quinta em Guimarães por 20 milhões. Mas faz parte do lote dos confidenciais. Publicável entre as mais valiosas é outra quinta, esta na Granja (Vila Nova de Gaia), bem perto do mar, que além de uma casa senhorial onde se multiplicam vários salões de estilo veneziano usados para bailes e recitais, possui ainda um jardim luxuriante com lagos, repuxos e um bosque  ao estilo romântico. Dada a dimensão, tem ainda um projeto aprovado para construção de 35 moradias, um pequeno grande pormenor que tem suscitado muita procura por parte do mercado, estando o imóvel em vias de ser vendido por  €11 milhões.

Num outro registo, um palacete, no Porto, consta na lista dos mais caros imóveis disponíveis a norte. Localizado na freguesia de Nevogilde, na primeira linha do mar, a casa apalaçada de maciços tetos em madeira trabalhada e pavimentos em mármore, está acessível por seis milhões. 

Palacete, Porto, €6 milhões

Palacete, Porto, €6 milhões

 

Também no distrito Porto, são essencialmente os estrangeiros que compram imóveis neste patamar de preços. "Já vendemos a brasileiros, israelitas, franceses... São pessoas que querem casas de campo, mas a poucos minutos da praia ou mesmo na primeira linha do mar. Neste momento, há procura de Gaia até Caminha ou Vila do Conde", diz Andreia Silva, diretora comercial da Luximo's.

E os portugueses? Os clientes nacionais já começam a regressar ao mercado imobiliário, aponta a responsável da Luximo's. Ainda que com bolsas menos desafogadas. "Estão a adquirir casas a valores que rondam entre os 400 e os 500 mil euros". Mas com uma particularidade: sem recurso ao crédito bancário.