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Nissan Leaf eléctrico para Sócrates

José Sócrates vai ser um dos primeiros governantes europeus a dispor de um veículo eléctrico como automóvel de representação

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

O novo Nissan Leaf foi testado, esta semana, no Japão, antes de viajar para Portugal, onde será apresentado no próximo dia 29 de Junho, numa cerimónia de promoção da rede de mobilidade eléctrica Mobi E, que contará com a presença de vários governantes europeus.

"Portugal é um mercado prioritário para o Nissan Leaf, a par do Japão, dos Estados Unidos e da Holanda, onde também será colocado à venda a partir de Dezembro", anunciou Tom Smith, director-geral de veículos eléctricos da Nissan para a Europa, que se escusou a revelar o número de unidades disponíveis para o mercado português.

"No entanto, vamos disponibilizar alguns Nissan Leaf para o Governo português (através do programa Mobi-E)", confirmou ao Expresso o responsável da marca nipónica, adiantando que a Nissan gostaria que o primeiro-ministro, José Sócrates, usasse um destes automóveis eléctricos como viatura de representação, ao abrigo do acordo celebrado com a aliança Renault-Nissan e como forma de demonstração do plano integrado para a mobilidade eléctrica. No futuro, o compromisso do Governo aponta para uma percentagem de 20% de veículos eléctricos na frota de veículos oficiais.

O Expresso sabe que o primeiro-ministro irá utilizar a viatura como automóvel de representação.

Primeiro teste no Japão

Em Yokohama, a Nissan reuniu um grupo seleccionado de 25 jornalistas de todo o Mundo, para os primeiros testes dinâmicos do Nissan Leaf. Como o carro ainda não está homologado no Japão, os ensaios foram realizados no perímetro de 3,7 quilómetros da pista de testes da marca, instalada junto à fábrica de Oppama (onde são produzidos os Leaf e as respectivas baterias de iões de lítio).

Depois de algumas voltas à pista, que reproduz várias situações de estrada (percurso sinuoso, declives e vias rápidas), a versão final do Nissan Leaf correspondeu às expectativas que se esperam de um automóvel com capacidade para transportar cinco pessoas. Com a totalidade do binário (280 NM) disponível logo no arranque, este automóvel eléctrico possui uma aceleração equivalente à de um motor V6 de 3,5 litros. A partir dos 60 km/h, a aceleração é contínua e constante até um máximo de 144 km/h.

O Nissan Leaf está dotado de um motor eléctrico de 80 kW (cerca de 108 cv), caixa de velocidades controlada electrónicamente e um total de 48 módulos de baterias de iões de lítio colocadas por debaixo dos bancos (num total de 250 kg). Mas o que mais surpreende o condutor é o ambiente de silêncio quase absoluto em que o automóvel se move, "fruto de um trabalho apurado de insonorização e aerodinâmica levado ao pormenor, em túnel de vento, para alcançar um coeficiente aerodinâmico de 0,29", explicou Masato Inoue, designer de produto chefe da Nissan. O peso do conjunto não excede os 1600 quilos.

Autonomia de 75 a 220 km

Dada a natureza do ensaio, não foi possível testar a autonomia total do carro. O construtor anuncia 160 quilómetros, mas apresenta o resultado de várias situações reais em que a autonomia variou entre os 75 e os 220 quilómetros. "Tudo depende das condições do trânsito e da forma de conduzir", frisou Shigestoshi Tokuoka, um dos engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento do veículo.

Existem dois modos de condução no Leaf, um dos quais (EcoMode) mais apropriado para percursos urbanos e capaz de estender a autonomia do veículo em mais 10%. Por outro lado, o sistema de regeneração da energia cinética nas travagens e desacelerações também contribui para carregar as baterias. Estas podem ser recarregadas numa tomada normal de 220 v (cerca de oito horas) ou através de um carregador rápido (30 minutos).

O Nissan Leaf quer posicionar-se como o primeiro carro 100% eléctrico e zero emissões produzido em massa. Além do Japão, vai ser igualmente produzido em fábricas da Nissan nos Estados Unidos (Smyrna, Tennessee) e no Reino Unido (Sunderland). Por sua vez, as baterias de iões de lítio serão fabricadas no Japão, no Reino Unido, em França (Flins) e em Portugal (Cacia, Aveiro). Em 2012, a capacidade de produção anual destas fábricas será de 250 mil veículos e 400 mil baterias.

O jornalista viajou a convite da Nissan