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Morreu Mário Murteira

O economista de 79 anos faleceu esta manhã no Hospital da Luz. Foi uma das figuras mais marcantes saídas da geração de economistas dos anos 50 e 60. O funeral realizar-se-á amanhã no cemitério da Ajuda.

Mário Murteira, professor emérito do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, faleceu hoje de manhã em Lisboa, depois de doença prolongada, a pouco mais de um mês de fazer 80 anos. Será velado na Capela de S. Gabriel no Mosteiro dos Jerónimos e o funeral realizar-se-á amanhã de manhã para o cemitério da Ajuda.

Murteira, que dirigiu até final de 2011 a revista "Economia Global e Gestão", publicada pelo INDEG, a escola de negócios ligada ao ISCTE, jubilara-se no ISCTE em 2002 e passaria a professor emérito da mesma universidade em 2008. Três anos depois iniciaria um período prolongado de doença. Era professor do ISCTE desde a fundação em 1972.

Licenciou-se em "Económicas" em Lisboa, o então denominado Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF, hoje ISEG), a principal escola de economia do país, em 1956. Realizou estudos de pós-gradução em Paris e Roma em 1959 e 1960 e viria a doutorar-se-ia pela Universidade Técnica de Lisboa em 1970. Foi assistente do Centro de Estudos Sociais e Corporativos, dirigido por Sedas Nunes, em 1957/58, e da Divisão de Estudos de Economia Industrial do Instituto Nacional de Investigação Industrial em 1959/61.

Já depois do 25 de abril, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Economia e Sociedade, foi diretor da revista "Economia e Socialismo", e fundador e diretor do CESO -Centro de Estudos Economia e Sociedade. Realizou várias missões de assistência técnica em África como consultor de organismos da ONU (UNCTAD e UNDP), Banco Mundial e da Comunidade Económica Europeia.

No ISCTE desempenhou o lugar de presidente do Conselho Científico e de responsável pela sua Escola de Gestão.

Foi professor visitante na Universidade Eduardo Mondlane em Maputo, em Moçambique, e na Universidade de Macau. Os seus estudos mais recentes sobre o "despertar" da China são uma referência no estudo da transformação daquela grande economia.

No plano político, foi ministro dos Assuntos Sociais no I Governo Provisório em 1974 e ministro do Planeamento e Coordenação Económica nos IV e V Governos Provisórios em 1975. Foi nomeado, em março de 1975, vice-governador do Banco de Portugal. Foi militante e dirigente da União de Esquerda Socialista Democrática (UEDS).

Em 2009 foi-lhe atribuído o Prémio Carreira" pela Ordem dos Economistas. Em 2010 foi condecorado com a Primeira Classe da medalha de Mérito pelo Presidente da República de Cabo Verde. Pedro Pires, pelo trabalho desenvolvido na formação de quadros superiores em Economia e Gestão. 

Temos de mudar de óculos

A sua página na Internet em www.mariomurteira.com que não é atualizada desde 21 de fevereiro de 2011, publicava no primeiro artigo em destaque: "Portugal vive hoje um tempo de depressão psicológica, que se associa - mas não se reduz - a uma depressão económica As nossas doenças, como economia e como sociedade, começam por uma doentia visão do (nosso) mundo. Visão a que chamo ideologia portuguesa. Quero simplesmente dizer com isto que, se pretendemos melhorar a lusa realidade, temos antes do mais, de mudar de óculos... ou ideologia".

Um seu livro, autobiográfico, foi publicado em 2002 com o título sugestivo de "O economista acidental (e voador frequente)" e, posteriormente, em 2008, escreveu "Disse bom dia à noite". Um dos seus livros de divulgação dá pelo título de "A Economia em 24 lições".

Considerado um "schumpeteriano" publicou  "Economia do conhecimento" em 2004 e no ano anterior havia realizado uma reflexão crítica sobre o tema da globalização em "Globalização - pela invenção dum tempo global e solidário".