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Mini-crash invade bolsas americanas e europeias

O Dow Jones americano voltou a descer abaixo dos 10.000 pontos com uma quebra de mais de 3%. O Nasdaq das tecnológicas caiu 3,6%. E 8 bolsas europeias cairam mais de 3%. Uma 6ª feira cinzenta

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Uma sexta-feira cinzenta nas bolsas depois das confusões sobre o défice público estimado para 2010 na Hungria e do desapontamento com os números de criação de emprego nos Estados Unidos.

A polémica política em Budapeste sobre o défice público para 2010 (que provavelmente terá de passar dos 3,8% acordados com o FMI para 7 ou 7,5% do PIB, o que, no entanto, foi desmentido) agravou uma tendência que já se observava desde Maio na região do leste da União Europeia com os riscos de bancarrota a subirem na percepção dos investidores dos mercados da dívida em vários desses países da periferia oriental, como já referimos. A Hungria acabaria por entrar hoje para o último lugar do TOP 10 do risco mundial.

Vaga de contágio



A bolsa de Budapeste, a cidade que foi o foco da confusão de hoje, caiu 3,3%. Mas uma vaga de contágio logo se espalhou por todas as bolsas europeias, com 8 delas a caírem mais de 3%. A maior queda bolsista foi na Grécia com mais de 5%. O PSI 20 lisboeta ficou-se por uma quebra de 2,2%.

Mas o contágio estendeu-se também aos Estados Unidos. Depois dos PIIGS agora são os ex-de Leste a entrar no risco de default. A que acresceu um "evento" local, americano, um desapontamento sobre o número de criação de empregos em Maio. Não foi aquele que se estimava! O problema que atormenta os americanos é o espectro de uma retoma sem criação líquida de emprego (jobless recovery, é como lhe chamam). Diferenças entre as estimativas e a realidade depois verificada lançam o pânico.

E a convergência da desavença em Budapeste com o desapontamento dos números de emprego nos EUA bastou para empurrar o Dow Jones para baixo do patamar psicológico dos 10.000pontos e para uma quebra de 3,16%. O Nasdaq, bolsa tecnológica de Manhattan, quebrou 3,6%.

Muitos analistas acham que a alta bolsista na Wall Street entre Março de 2009 e 26 de Abril de 2010 terminou definitivamente. O clima bolsista teria regressado ao "urso" (em contraponto com o "touro", que seria o de bolha especulativa). Só em Maio, o Dow Jones caiu 7,9%. Desde o começo de Janeiro até agora, a quebra foi de 6%, revelando as oscilações a que temos assistido.