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Luís Horta e Costa: "Nunca nenhum decisor político levou um tostão da Escom"

Administrador da empresa do Grupo Espírito Santo está a ser questionado sobre o caso dos submarinos na comissão de inquérito ao caso BES.

Sónia M. Lourenço

"Nunca nenhum decisor ligado ou não ligado a um concurso de material militar em que a Escom tenha participado como consultor de um fornecedor levou um tostão da Escom", frisou Luís Horta e Costa aos deputados da comissão de inquérito ao caso BES/GES quando questionado sobre o caso dos submarinos.

Luis Horta e Costa diz que "não põe as mãos no fogo", porque "não sabe" se houve corrupção em Portugal. Mas, "sei que usando a Escom não houve", referiu, salientando que andou "nove anos a ser insultado".

Deixou contudo no ar a dúvida sobre a atuação da Ferrostaal, que a Escom assessorava no concurso da venda dos submarinos a Portugal: "Tivemos de rescindir unilateralmente o contrato com a Ferrostaal quando achámos que a Ferrostaal ia por caminhos que não eram os nossos. Isso está em ata e documentado".

Horta e Costa mencionou em particular a questão das contrapartidas. "Manifestámos divergências graves e a relação tornou-se tensa".

Uma assessoria que deu origem a uma distribuição de cinco milhões de euros aos membros do conselho superior do Grupo Espírito Santo e outros 16,5 milhões para a administração da Escom (incluindo também Miguel Horta e Costa, que não era administrador, mas tinha estado envolvido no processo). Parte do dinheiro foi ainda para pagar serviços como advogados e banca de investimento.

Uma repartição que "estava pré-combinada com Ricardo Salgado", adiantou, notando que "para o GES a Escom era deles. Duvido que se lembrassem sequer que tinham um sócio minoritário na Escom".

Questionado pelos deputados sobre a que título foram distribuídos esses cinco milhões de euros aos membros do conselho superior do GES, Luís Horta e Costa, referiu precisamente que "eram os donos da Escom. Na altura, em 2004, pareceu-nos perfeitamente normal. Hoje o mundo é diferente e talvez não o fizesse da mesma forma". Em causa está a existência ou não de suporte contabilistico para a transferência. Questão que Luis Horta e Costa não soube responder, comprometendo-se a enviar documentação à comissão.

Esse dinheiro foi entregue "através de off-shores, para dificultar que se percebesse de onde vinha o dinheiro e esperar melhores dias para o trazer para Portugal", adiantou, destacando questões fiscais e reputacionais.