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Jorge Sampaio apela à coordenação na promoção do turismo

O exemplo de Espanha como 'marca-país' foi enaltecido pelo ex-presidente da República. Operadores internacionais consideram que a promoção feita tem pouco impacto na captação de mais turistas.

Conceição Antunes, em Macau

A marca para Portugal se promover no exterior, foi um tema na mesa do congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que está a decorrer em Macau. Jorge Sampaio, ex-presidente da República e orador convidado enfatizou que nesta matéria "o que não pode acontecer é a descoordenação de mensagens, a canibalização de percepções e a cacofonia de imagens".

Jorge Sampaio salientou ainda que a promoção de um país "não é uma iniciativa do Estado, em que a sociedade civil, empresarial e profissional assiste na bancada, aplaudindo e assobiando em função dos êxitos ou inêxitos do momento". Como português, Sampaio desejou o maior sucesso às recentes campanhas de "Portugal, a costa Oeste da Europa" ou ao "programa Allgarve (com dois 'll'), mas apelou à necessidade destas iniciativas serem coordenadas no sentido de "um esforço mais lato de afirmação de uma marca-país". E deu o exemplo positivo da promoção avançada em Espanha. "Juntos somos mais fortes - é esta a lógica da marca Espanha", salientou Jorge Sampaio.

Lembrando que já Camões se referia a Portugal como "a ocidental praia lusitana", Pedro Bidarra, vice-presidente da agencia BBDO, e autor da campanha "Portugal, a costa Oeste da Europa", sublinhou que há uma série de estereótipos negativos associados aos países do Sul. "O Sul é um filtro que nos condena a ser vistos como país atrasado e sub desenvolvido", sustentou Pedro Bidarra.

O responsável da BBDO enfatizou que Portugal precisa de reposicionar a sua imagem, no sentido de melhorar o respeito e a credibilidade, as áreas mais deficitárias, e que deve tirar partido da sua localização geográfica para se afirmar como país da costa Oeste da Europa, um lugar ainda não ocupado, e associando-se a valores de modernidade. "Portugal precisa de se diferenciar para captar a atenção, porque este mundo é complicado: há muita gente e muitas bandeiras", defendeu Pedro Bidarra.

Luis Patrão, presidente do Turismo de Portugal, chamou a atenção para o esforço de promoção avançado dos últimos anos, associando o país aos seus principais talentos (como Mariza ou Cristiano Ronaldo) e aos desenvolvimentos no campo da tecnologia. "A verdade é que não se escolhe para destino de ferias o sítio onde se faz software para a NASA", reconheceu. Mas salientou que o facto de se promover Portugal pelos avanços nas energias renováveis já tem efeitos directos no turismo.

"O impacto de tudo isto não se tem traduzido em maior procura para o destino Portugal", adiantou Duarte Correia, presidente executivo (CEO) a nível nacional da TUI, um dos maiores operadores turísticos do mundo.

Tambem Vítor Neto, empresário do Algarve e ex-secretário de Estado do Turismo, lembrou que Portugal não teve nenhum aumento turístico entre 2000 e 2006, enquanto outros países deram neste período saltos de gigante. E deu exemplos: de 2001 a 2006, o Egipto passou de 4,3 milhões de turistas externos para 10,6 milhões, a Turquia cresceu de 10,7 milhões de turistas para 22 milhões, e a Grécia de 14 milhões para 17,5 milhões de turistas estrangeiros.