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Jardim diz que já estava condenado à partida

Ex-presidente do BCP diz que "o discurso acusatório do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, em Dezembro de 2007" não dava outra alterntativa senão avançar com a condenação antes da posse do novo governador".

Isabel Vicente e Pedro Lima (www.expresso.pt)

Jardim Gonçalves, fundador e ex-presidente do BCP até 2005, afirma que a condenação do Banco de Portugal ao pagamento de 1 milhão de euros e à inibição do exercício de quaisquer cargos no sector financeiro por nove anos já era esperada. Isto porque "antes de ter sido realizada qualquer investigação", em Dezembro de 2007, já havia um discurso acusatório por parte do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

Confirmou, por outro lado, que vai impugnar a condenação, tal como já havia afirmado o seu advogado, Manuel Magalhães e Silva, ao Expresso.

Na declaração à imprensa, Jardim Gonçalves refere que "o discurso acusatório do governador do Banco de Portugal em Dezembro de 2007, precedido pelos discursos de sentido idêntico do ministro das finanças e do presidente da CMVM, antes mesmo de ser realizada qualquer investigação, não dava outra alternativa ao Banco de Portugal senão avançar com esta condenação, antes da posse do novo governador  do Banco de Portugal, ex-director geral do BCP".

Carlos Costa assumirá em Junho o cargo de governador do Banco de Portugal na sequência da ida de Constâncio para a vice-presidência do Banco Central Europeu.

A 28 de Abril, o Público referiu que Carlos Costa concordou com a renovação dos créditos às "off-shores" do BCP que foram investigadas e que estão na origem das contra-ordenações do Banco de Portugal conhecidas hoje.

Jardim afirma ainda que "a condenação vem na linha da reunião realizada em Dezembro de 2007, no Banco de Portugal, do governador com os maiores concorrentes accionistas do BCP", e a que chamou "atípica" na Comissão Parlamentar de inquérito". Faz também questão de sublinhar que "o BCP deu um grande contributo para todo o sistema financeiro, que o Banco de Portugal não acompanha".

Jardim Gonçalves foi condenado a pagar uma coima de 1 milhão de euros e fica inibido de exercer a actividade financeira durante 9 anos.