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Importações nacionais de petróleo vão atingir quatro milhões de barris

GALP assinou hoje com a Petróleos da Venezuela (PDVSA) cinco acordos comerciais numa cerimónia na presença do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, e do primeiro-ministro, José Sócrates.

A GALP assinou hoje com a Petróleos da Venezuela (PDVSA) cinco acordos, prevendo importações de petróleo de quatro milhões de barris em 2009, a liquefacção e comercialização conjunta de gás e a construção de quatro parques eólicos.

Os acordos foram assinados pelos presidentes da GALP e da PVSA na presença do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, e do primeiro-ministro, José Sócrates.

Além de ter começado com cerca de uma hora de atraso, a cerimónia foi longa e insólita, com o presidente Chávez a falar mais de uma hora (com Sócrates quase sempre em silêncio ao seu lado) e a interpelar por várias vezes o presidente da GALP, Ferreira de Oliveira, ou empresários portugueses que estão envolvidos em negócios com a Venezuela.

Chávez resolveu apresentar os 14 acordos celebrados entre Portugal e a Venezuela um a um, deixando muitas piadas pelo meio.

Alternando ataques violentos a adversários com notas de humor, Chávez fez críticas aos Estados Unidos, elogiou as massas portuguesas, referiu-se ao socialismo de Sócrates, às padarias da comunidade portuguesa e pediu palmas para o presidente da GALP, ou para o chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.

"Que o nosso primeiro petroleiro chegue a Lisboa antes de Sócrates", disse, numa referência à visita oficial de três dias do primeiro-ministro português.

Comercialização de gás natural

No domínio da energia, PDVSA e Galp assinaram um acordo quadro para o desenvolvimento de projectos de liquefacção de gás natural.

Este acordo prevê a constituição de duas empresas mistas (uma para cada projecto), em que a GALP terá uma participação de 15 por cento.

O compromisso prevê ainda que a GALP poderá vir a adquirir uma quantidade equivalente a dois mil milhões de metros cúbicos/ano de gás natural - algo que o Executivo de Lisboa define como "fundamental" para a segurança de abastecimento.

PDVSA e GALP assinaram um memorando para avaliação de um terceiro projecto de gás liquefeito, um acordo para o estudo conjunto de desenvolvimento do Bloco Boyaca 6 na Faixa Petrolífera de Orinoco - local que quarta-feira será visitada pelo primeiro-ministro.

Quatro parques eólicos

As petrolíferas venezuelana e portuguesa a assinaram ainda acordos para a transacção entre dois e quatro milhões de barris de petróleo por ano e um projecto para a construção na Venezuela de quatro parques eólicas na Venezuela.

Segundo a GALP, os quatro parques eólicos na Venezuela terão uma capacidade de 72 megawatts.

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje ter recebido garantias do presidente venezuelano, Hugo Chavez, de que a comunidade portuguesa terá maior protecção ao nível da segurança e condições de prosperidade na actividade comercial.

"Para estar na Venezuela não há uma, duas ou três razões, mas 600 mil razões, tantas quanto os portugueses que residem neste país", declarou Sócrates.

Na sequência da conversa a sós entre os dois responsáveis políticos, Sócrates deixou a seguinte mensagem à comunidade portuguesa: "O presidente venezuelano disse-me que tudo fará para assegurar a estabilidade para garantir as condições de prosperidade e de segurança"."Trata-se de um objectivo que o presidente Chavez estende a todos os venezuelano", acrescentou.

Na sua breve intervenção, que contrastou com a de Chavez (que durou mais de um hora), o primeiro-ministro português manifestou-se também confiante que Portugal e a Venezuela terão a prazo um reforço das relações comerciais".

"Julgo que os contratos assinados serão apenas o primeiro passo", disse, antes de considerar "incompreensível" que Portugal seja o "penúltimo país da zona euro" com relações comerciais com a Venezuela.

Portugal assinou um acordo ao nível do combate ao tráfico de estupefacientes e ao branqueamento de capitais.

O memorando no domínio da justiça centra-se "no reforço da cooperação no âmbito da recolha, análise e intercâmbio de informação que possa beneficiar a investigação de crimes de tráfico de estupefacientes e branqueamento de capitais".

Para este combate conjunto, o memorando prevê a constituição de "funcionários especializados em assuntos de drogas como oficiais de ligação dos dois países".

Entre outras inovações, estipula-se que seja colocado um oficial de ligação da Polícia Judiciária junto da Embaixada de Portugal em Caracas.

Prevêem-se ainda mecanismos de cooperação policial ao nível da investigação, assim como o objectivo de criação de uma comissão mista entre polícias para a luta contra a droga.

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