Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Granadeiro demite-se da PT

FOTO RUI OCHÔA

Henrique Granadeiro apresentou a demissão ao Conselho de Administração da Portugal Telecom, apurou o Expresso. Pacheco de Melo mantém-se.

Pedro Santos Guerreiro e João Vieira Pereira

Henrique Granadeiro apresentou esta quinta-feira a sua renúncia a todos os cargos na Portugal Telecom, sabe o Expresso. Deixará, pois, de ser presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva da empresa portuguesa.

É a consequência direta do escândalo do investimento de 847 milhões de euros da PT em papel comercial do Grupo Espírito Santo, que entretanto entrou em insolvência, gerando fortes prejuízos nos seus credores, incluindo a Portugal Telecom.

Em reunião de Conselho de Administração da empresa, que ocorreu esta quinta-feira, foram apresentadas várias propostas no âmbito do processo. Entre elas inclui-se a decisão do Conselho de Administração de promover uma auditoria específica às relações entre a PT e o BES, para apurar se os procedimentos ocorridos nesta relação foram sempre os corretos e que órgãos ou pessoas estiveram envolvidos nessas relações.

Recorde-se que a PT desvalorizou fortemente em Bolsa depois de o Expresso ter revelado o investimento da empresa em papel comercial da RioForte. Esse investimento foi feito em Abril, renovando outro investimento em papel comercial da ES International, que havia sido feito em dezembro. Também este investimento era uma renovação de outros anteriores, embora num valor cada vez maior. 

Henrique Granadeiro manter-se-á em funções até à Assembleia Geral da PT, que ocorrerá no início de setembro. Mas anunciou já esta quinta-feira aos seus colegas de Administração a sua decisão. Ao sair apenas após a Assembleia Geral, Granadeiro deixa a PT depois de estarem concluídas as negociações com os acionistas brasileiros da Oi que levaram à revisão das participações da PT na nova empresa que resultará da fusão entre a Oi e a PT, que tem como nome provisório CorpCo.

Henrique Granadeiro trabalhou na Portugal Telecom em diversas funções, assumindo funções de administrador desde 2006. Durante a oferta pública de aquisição (OPA) hostil da Sonae sobre a PT, Granadeiro assumiu os cargos de presidente da comissão executiva (CEO) e do conselho de administração ("chairman"), acumulação que seria desmanchada depois da vitória da PT na OPA: Zeinal Bava passou então para CEO, ficando Granadeiro como chairman. Em junho de 2013, Zeinal Bava deixou de ser CEO da PT SGPS, assumindo a liderança executiva da Oi. Nessa altura, Granadeiro voltou a acumular os cargos de CEO e chairman da PT SGPS. Zeinal ficou apenas como CEO da PT Portugal, cargo que abandonou esta semana.

Nos dias 15 e 17 de julho, venceu o prazo de pagamento do papel comercial da RioForte, sem que o reembolso tivesse sido feito. O investimento havia sido feito três meses antes. O impacto desta perda foi imediato nos resultados da empresa nas cotações em Bolsa. 

Depois da notícia do Expresso, em junho, a Portugal Telecom emitiu um comunicado confirmando o investimento em papel comercial. Esse comunicado era assinado por dois administradores, o que é incomum: Henrique Granadeiro (presidente) e Luís Pacheco de Melo (administrador financeiro). Luís Pacheco de Melo demitiu-se entretanto dos cargos na subsidiária PT Portugal mas não da holding PT SGPS, onde se mantém.