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Fotogaleria: Carlos Costa sugere cortes no endividamento

Reforço da confiança de quem empresta dinheiro a Portugal é "imperioso e urgente", salientou hoje o novo governador do Banco de Portugal na tomada de posse. Para isso o país tem que poupar. (Veja a fotogaleria)

Ana Sofia Santos e Isabel Vicente (www.expresso.pt)

Carlos da Silva Costa tomou posse esta manhã, no salão nobre do Ministério das Finanças, como governador do Banco de Portugal sucedendo no cargo a Vítor Constâncio que é agora vice-presidente do Banco Central Europeu.

O economista deixa a vice-presidência do Banco Europeu de Investimento. onde esteve nos últimos dez anos.

O novo líder do supervisor bancário português fez um discurso de 33 minutos (14 páginas) onde focou como "imperioso e urgente demonstrar aos agentes financiadores externos que as trajectórias de endividamento são sustentáveis". Para tal, segundo Carlos Costa, é necessário "ajustar com determinação as necessidades de financiamento externo à intensidade da restrição que defrontamos".

Esta garantia aos mercados "passa necessariamente pelo reforço da poupança interna, tanto pública como privada, e pelo aumento da competitividade da economia", cujos três pilares são "a redução consistente e credível do défice público, o aumento da poupança privada e o incremento das exportações".

O governador focou que o supervisor além de ter que "velar pela estabilidade do sistema financeiro", também cabe ao Banco de Portugal "velar pela eficiência do sistema de pagamentos".

Neste campo, os desafios estão, por exemplo, nas novas tecnologias de pagamento através da internet ou do telemóvel e na inovação crescente no mercado dos pagamentos de retalho. Um panorama que vai exigir "um reforço significativo" do papel do Banco de Portugal ao nível da superintendência desta área, "com especial atenção aos mecanismos de controlo de risco nesses sistemas e à produção de informação estatística relevante".

Regime de falências é ineficiente

O reforço da confiança dos agentes económicos nos mercados financeiros a nível internacional também marcou a intervenção do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. O governante deixou o recado a Carlos Costa que é urgente que se faça "um diagnóstico rigoroso das debilidades reveladas durante a crise e que se implementem reformas que nos permitam ultrapassar a crise com um sistema financeiro mais robusto, melhor regulado e melhor supervisionado".

Teixeira dos Santos focou também a necessidade de se criar, "a nível nacional e internacional, de um conjunto de instrumentos de intervenção precoce que permitam lidar rapidamente com instituições financeiras em dificuldade, designadamente em processos de reestruturação ou de liquidação".