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Faculdade de Economia da Nova reforça internacionalização

Instituição pública globaliza-se e lança sementes na costa leste da América do Norte.

Ana Sofia Santos (www.expresso.pt)

O consulado português em Boston está à pinha. E o diretor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (FEUNL), José Ferreira Machado, não desilude. É um comunicador nato que sabe cativar. Não é difícil surpreender a plateia já que a escola de negócios da Nova está ao nível das melhores instituições europeias. Tem dois mestrados no ranking mundial do "Financial Times" (FT). Soma as três acreditações mais importantes do ensino da gestão e foi escolhida pelo CEMS (um organismo multinacional de ensino) para lecionar o MIM - Master's in International Management, classificado pelo FT como o melhor do mundo em 2009. Para o cônsul-geral em Boston, Paulo Cunha Alves, "é fundamental que os luso-americanos saibam que existem escolas portuguesas de topo. Há muitos a estudar em Boston que gostariam de ter uma experiência académica em Portugal". Para isso são necessárias bolsas de estudos, aponta. O mesmo focam os cônsules em Toronto (Canadá), Júlio Vilela, e em Newark, Amélia Paiva. A participação das comunidades portuguesas, através de associações, empresários e outros benfeitores, é crucial. Na angariação de fundos, a Nova conta para já com a ajuda da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos, liderada por Tina Martins: "A comunidade empresarial em Ontário incentiva a excelência académica através, por exemplo, da atribuição de bolsas anuais aos estudantes luso-canadianos. Acredito que haveria interesse em apoiar a iniciativa da Nova". A Câmara de Comércio Luso-Americana de New Jersey, presidida por Anthony Azevedo, bem como a Câmara Portuguesa de Comércio em Nova Iorque, que tem à frente Donzelina Barroso, disponibilizaram as suas redes de contactos para ajudar a dar fôlego financeiro aos projetos da FEUNL. "Ficámos impressionados com a excelência da faculdade", frisa Anthony Azevedo, enquanto Donzelina Barroso refere que a Nova é ideal como ponto de ligação com "o Brasil e África".

Inglês atrai estrangeiros

 

Há cerca de 14 anos que os cursos da FEUNL são em inglês, o que lhe permite atrair estudantes internacionais. Por ano, a escola, que soma 2000 estudantes, recebe 400 alunos estrangeiros e manda para fora 400 portugueses, em programas de intercâmbio. Tem parcerias em 147 países. "É uma rede em mudança, tanto eliminamos acordos mais fracos como celebramos outros em países mais interessantes", adianta João Amaro de Matos, subdiretor para as relações internacionais. A faculdade fez as malas e passou dez dias na costa leste da América do Norte (onde já tem algumas parcerias), lançando novas sementes em regiões com fortes comunidades portuguesas: Boston, Newark, Nova Iorque, nos EUA, e Toronto, no Canadá. A comitiva liderada por José Ferreira Machado integrou João Amaro de Matos e Nadim Habib, o libanês com duas décadas de vida em Portugal que lidera a formação de executivos. Nas visitas às universidades, o gestor procurou bons exemplos de apoio e estímulo do empreendedorismo para os aplicar na Nova. O centro de incubação de empresas na Universidade de Massachusetts Boston encheu-lhe as medidas. Um local onde o mundo académico e o dos negócios se tocam e dão frutos. O tempo esteve contado ao minuto, entre visitas a escolas de negócios, universidades e consulados, apresentações a empresários e encontros com antigos alunos da Nova. Objetivo: cativar alunos dos EUA e do Canadá para estudarem em Lisboa. Estratégia: ir ao encontro de luso-descendentes, para os quais Portugal não é apenas um país europeu pequeno e periférico. O road-show da Nova do outro lado do Atlântico levou meses a preparar. A equipa foi a nove universidades e escolas e pôs em marcha o intercâmbio de alunos. A costa leste da América do Norte é um dos pilares que faltam no plano de internacionalização da faculdade portuguesa. O Atlântico é o eixo do projeto assente noutros três pilares: Portugal, Brasil e Angola. "Cercando o Atlântico" podia ser o mote desta campanha pioneira, aponta José Ferreira Machado. A Nova apresenta-se não só como porta de entrada na Europa mas também como 'elemento facilitador' em dois mercados muito apetecíveis para os investidores: Brasil e Angola, que são palavras-chave nas apresentações.

Ferreira Machado sabe que este dueto é o elemento que pode diferenciar a Nova e atrair as atenções das melhores escolas nos EUA e Canadá. A excelência académica da Nova impressionou cada um dos interlocutores académicos que receberam a comitiva portuguesa. Mas o brilho nos olhos surgia, quase sempre, quando se revelavam as parcerias no Brasil e, sobretudo, a presença em Luanda. "A qualidade académica é importante, mas não é diferenciadora. A nossa estratégia de internacionalização é o que nos distingue", nota o diretor. Prova disso é o interesse de Tom Pugel - vice-diretor dos programas executivos da Stern, escola de negócios da Universidade de Nova Iorque - em celebrar com a FEUNL um protocolo para que os seus estudantes possam vir a Lisboa fazer um curso sobre 'como fazer negócios em Angola'.

Texto publicado no caderno de Economia do Expresso de 23/10/2010