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Espanha: FCC paralisa investimentos em renováveis

O grupo espanhol tinha atualmente em curso um projeto de instalação de duas unidades termosolares, num investimento de €600 milhões. 

O grupo espanhol FCC anunciou hoje a paralisação dos investimentos previstos na sua nova área de energias renováveis à espera de que se concretize a nova política de subsídios, atualmente a ser estudada pelo Governo.  

 

O anúncio foi feito pelo presidente da FCC, Baldomero Falcones, em conferência

de imprensa antes da reunião de acionistas do grupo, que decorre hoje em Barcelona.  

 

A empresa tinha atualmente em curso um projeto de instalação de duas unidades termosolares que representam um investimento de 600 milhões de euros e cujo funcionamento deveria começar em 2012 e 2013.    

 

"Estamos a parar os investimentos e a analisar as novas condições de investimento", explicou aos jornalistas.  



Aposta na internacionalização 

Em paralelo, a FCC vai intensificar a internacionalização da sua actividade construtora - dado o corte de investimentos públicos em infraestruturas em Espanha - podendo elevar de 54 para 60%a contribuição dos negócios exteriores nos resultados da empresa.  

 

Várias empresas do setor energético em Espanha têm defendido, nos últimos meses, um novo debate em torno aos subsídios (primas) dados ao regime especial de energia elétrica, nomeadamente renováveis.  

 

Em abril, o presidente da Gás Natural Fenosa defendeu um debate "claro, pragmático, numérico e sem demagogia ou utopia" sobre o setor elétrico que reconheça o "custo real" da energia e que as renováveis ainda não são economicamente sustentáveis.  

 

Salvador Gabarró manifestou-se "profundamente preocupado" com o setor elétrico, afirmando que o mix energético deve ser "ambientalmente sustentável mas também economicamente sustentável".  

 

O conselheiro delegado da Gás Natural Fenosa, Rafael Villaseca disse que os próprios dados da própria Comissão Nacional de Energia (CNE) referentes a 2009 confirmam que enquanto o custo de geração de energia no regime ordinário baixou de 49 para 38 euros, o custo do regime especial cresceu de 113 para 115 euros.  



À espera de mais incentivos 

Dados divulgados pela CNE indicam que no ano passado o setor de energia de regime especial (renováveis) recebeu subsídios de 6215 milhões de euros em Espanha.  

 

Os subsídios são considerados essenciais porque servem de incentivo económico para desenvolver o que é uma tecnologia incipiente que, sem apoio talvez não avançasse.  

 

O problema, segundo analistas, é que o volume de megawats instalado tem crescido exponencialmente (há já mais de 30 mil MW, ou um terço de toda a capacidade instalada no país) e os subsídios continuam a aumentar, atingindo níveis 55% acima do previsto.  

 

O debate atual assenta, por um lado no custo que os subsídios representam para os consumidores (cerca de 250 euros por ano por cada um), no facto do custo de geração de energia ter caído consideravelmente nos sistemas convencionais e do Governo ter decidido acabar com o défice.  

 

Em termos comparativos note-se, por exemplo, que o custo de produzir energia convencional foi de 3132 ME em 2009 (comparativamente aos 11.430 ME em 2008) e que só as solares - algumas delas a ser investigadas - receberam 2.688 ME em subsídios, mais 89% que em 2008.

 

      

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***