Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Emilio Botín investe 600 milhões nas universidades

Presidente do Santander anuncia o reforço do grupo no sector da educação para os próximos cinco anos. Em Portugal o orçamento também vai crescer, em 2010, para 4 milhões de euros.

Ana Sofia Santos, em Gudalajara (www.expresso.pt)

Emilio Botín, presidente do Banco Santander, encerrou o seu discurso na sessão inaugural do II Encontro Internacional de Reitores do Universia com a notícia de que o seu banco irá investir, nos próximos cinco anos, mais 600 milhões de euros para financiar projectos universitários.



Entre 2004 e 2009, a divisão do Santander que apoia o ensino superior gastou 375 milhões de euros. Em Portugal, este valor ascendeu a 3,7 milhões de euros no ano passado e o objectivo é atingir os 4 milhões de euros em 2010, segundo o presidente do Santander Totta, Nuno Amado.



Emilio Botín falou com entusiasmo perante uma audiência de mais de mil pessoas, entre os quais 985 reitores de universidades. Para o banqueiro espanhol a actual crise é uma "oportunidade única" para os países do espaço ibero-americano, já que são economias que, "pela primeira vez na história contemporânea, podem ultrapassar melhor as dificuldades económicas face a outras zonas globo como a Europa ou os Estados-Unidos. O que é uma excelente notícia".



Além disso, "a região ibero-americana adquiriu um protagonismo crescente no cenário internacional", salientou Botín, exemplificando com a entrada do Brasil, México e Argentina no G20.



Apesar do número de estudantes dos países da região ibero-americana que conseguiram ter acesso a formação superior estar a aumentar de ano para ano (dois milhões de universitários terminaram os cursos e integraram o mercado de trabalho, nos últimos cinco anos), "não podemos esquecer que ainda são poucos comparados com as taxas da União Europeia, Estados-Unidos ou Japão".

Educação é sinónimo de crescimento económico



É, por isso, que Botín apelou ao aumento do número de universitários, num repto às universidades, à sociedade em geral e ao poder político. "Esta região tem que alcançar o protagonismo mundial correspondente ao seu potencial humano, património cultural e capacidade de crescimento".



"A educação é, em boa parte, o instrumento para que a América Latina consolide o seu crescimento económico", sustentou.



Dirigindo-se aos reitores, o presidente do Santander pediu-lhes que do encontro saiam as "bases para uma universidade que dê resposta às necessidades desta época, que seja visionária em vez de ir a reboque dos acontecimentos e que tenha respostas para a crise económica e para as perguntas em torno de alguns dos valores que regem a nossa cultura", numa alusão à crise moral que esteve na base do desmoronar do sistema financeiro mundial.



Botín enfatizou, várias vezes, a importância do conhecimento socialmente responsável (tema do encontro) porque só assim, acredita o banqueiro, é possível formar universitários que "sejam líderes responsáveis, geradores de riqueza sustentável para os negócios e para a sociedade". Apostar "numa investigação que permite perceber melhor de que forma as empresas podem melhor contribuir para a criação de valor sustentável a nível social, ambiental e económico" é outro desígnio.



O também presidente da rede Universia reforçou ainda o facto deste instrumento "ser um agente dinamizador" do desenvolvimento do espaço ibero-americano do conhecimento.

Por sua vez, o presidente do México, Felipe Calderón, que presidiu à sessão inaugural do evento, denominou Guadalajara como "centro de pensamento mundial" e frisou o facto desta reunião de reitores ser fundamental para "fortalecer a universidade".

Calderón não tem dúvidas que se trata de um "encontro imprescindível para que as nossas sociedades distribuam mais equitativamente o conhecimento". Para o presidente mexicano, o século XXI é não só a globalização, mas também o conhecimento: "o futuro faz-se da conjugação do conhecimento e da concorrência global", referiu.



Focou também a importância de apoiar as universidades como forma de potenciar "um melhor nível de vida às populações".



Há três anos havia, no México, uma cobertura universitária que alcançava entre 22% a 25% da população, adiantou Calderón, aludindo à reforma educativa que está em marcha neste pais e que já permitiu elevar esta percentagem para 29%. O objectivo é atingir os 30%, até ao final do ano.

Uma das apostas mais recente do Governo mexicano é abrir centros universitários por todo o país, incluindo nas zonas periféricas onde o acesso à educação superior é mais difícil. Cidad Juarez, tida como a cidade mais violenta da América Latina, faz parte deste projecto. Para combater os problemas graves que afectam a população (a criminalidade é muito elevada e está associada ao narcotráfico) vão ser abertos três destes centros nesta região.

Calderón garantiu ainda estar atento às conclusões do encontro "pois uma boa parte do futuro deste país joga-se na forma como vamos enfrentar o desafio do ensino universitário".



E aplaudiu a colaboração entre o Banco Santander e as universidades que considerou um "paradigma que se está a criar no ensino superior. O caminho é a sinergia de esforços entre a universidade e a sociedade em geral".

O Universia



- É a maior rede de universidades de língua hispânica e portuguesa. Nasceu em 2000 da divisão que o Banco Santander criou, em 1996, para apoiar o ensino superior. A nível global, o Santander tem cerca de 2000 pessoas que trabalham no departamento das parcerias com universidades (destas 299 estão no projecto Universia).



- Integra 1169 instituições, de 23 países, que representam 13,5 milhões de universitários (alunos docentes).



- O Santander foi o impulsionador do projecto, actua como mecenas do Universia através da Divisão Global Santander Universidades, e ajuda a gerir a rede. Tarefa que é partilhada com as universidades, cujos reitores fazem parte do Conselho de Administração.



- A base do Universia é um portal (www.universia.pt) que promove a criação de um espaço de intercâmbio de conhecimento e de cooperação com o tecido empresarial. Há um forte incentivo para os estágios e cada vez mais empresas recrutam através do site.



- Em 2009, 176 985 universitários conseguiram o primeiro emprego através do Universia.



- O portal tem 8,7 milhões de usuários, em média, por mês. Existem 14,6 milhões de páginas Universia que aparecem nos motores de busca Google e Yahoo.



- Em Portugal, o Universia integra 20 instituições, públicas e privadas, que representam 54,5% do ensino superior português.



- Anualmente e a nível mundial, o Santander patrocina a concessão de mais de 14 mil bolsas e ajudas para promover o estudo, a investigação, a inclusão social e a entrada dos estudantes no mercado laboral. Colabora ainda em cerca de 2500 projectos universitários.



- Em Portugal existem 43 convénios entre universidades e o Universia.

*A jornalista viajou a convite do Santander