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Altitude tem 800 clientes em 60 países

Tecnológica realiza 80% do seu negócio no estrangeiro. Mas a escassez de talento nacional pode ser travão.

João Ramos (www.expresso.pt)

"A falta de recursos humanos qualificados em quantidade suficiente e a instabilidade financeira e fiscal do país são os principais obstáculos ao crescimento da Altitude Software nos próximos anos", afirma Gastão Taveira.

O presidente executivo da multinacional portuguesa, especialista de software para centros de contacto, queixa-se de ter concorrência desleal no acesso aos melhores recursos humanos: "Estamos num sector de bens transaccionáveis que exporta, mas que concorre com empresas de bens não transaccionáveis (grande parte estão no PSI-20) que estão protegidas da concorrência externa" afirma.

Apesar deste ambiente adverso, a Altitude registou em 2009 um desempenho que contrasta com a generalidade do tecido empresarial português: crescimento de 13,3% face a 2008 e um volume de negócios de €31,3 milhões, dos quais 80% foram alcançados no exterior.

Um desempenho que resulta da aposta em economias emergentes. "Embora a Europa seja o nosso maior mercado, apostámos na América Latina que tem tido forte crescimento", refere Gastão Taveira, adiantando que a Ásia também já está a dar um contributo positivo ao negócio.

Ásia é uma aposta ganha 

"Ganhámos clientes na Índia e nas Filipinas, dois países que trabalham em grande parte com call centers no modelo offshore para os EUA e Reino Unido. E também temos referências na Malásia e na China (Xangai e Hong Kong)", revela. A reentrada nos EUA foi outra decisão tomada em 2009. "É um mercado maduro e que sofreu muito com a recessão, mas que deverá trazer bons resultados nos próximos anos", esclarece.

Concorrer com as grandes Actuando no mercado globalizado, a empresa portuguesa tem a concorrência de grandes empresas americanas (Cisco, Avaya e Alcatel-Lucent), que por vezes também são parceiras.

Mais tarde ou mais cedo, admite como inevitável que as grandes empresas de software também entrem no mercado dos centros de contacto. A vantagem da Altitude consiste em continuar a ser considerada como "um especialista de nicho e equidistante dos grandes fornecedores de tecnologia". "Como temos um produto multiplataforma, rápido de instalar e capaz de funcionar virtualmente em várias geografias, temos tido a preferência de muitos outsourcers (empresas subcontratadas)", afirma o líder da Altitude.

E concretiza: "Temos clientes que têm centros de contacto nos EUA, Canada, Índia e Filipinas, cujos utentes podem intervir no decorrer de umamesma chamada, sem que o utilizador se aperceba. Isto prova que o mundo é plano, tal como diz o escritor Thomas Friedman".

Apesar de ter sede e o centro de desenvolvimento em Portugal e não renegar as suas origens, a Altitude tem baseado o seu sucesso numa estratégia de camaleão, porque já aparece em cada mercado como empresa global e local. Por exemplo, ganhou um prémio de software entre empresas espanholas e no Brasil é vista como uma empresa brasileira.

Bolsa pode esperar

Gastão Taveira não comenta a existência (ou não) de propostas de aquisição, argumentando tratar-se de um assunto de accionistas (Salvador Caetano, Gastão Taveira, Olmea SGPS, AICEP Capital e Sonaecom). Mas admite que no futuro a empresa possa fazer uma aliança.

Para financiar o crescimento, o líder da empresa não prevê a entrada na Bolsa nos próximos tempos, tendo em conta a "instabilidade dos mercados". "Temos gerado os meios que precisamos com o nosso crescimento. Aliás, a nossa última versão do software de contact center que envolveu 150 pessoas/ano, foi financiada com recursos próprios", revela Gastão Taveira.

Em Portugal, a empresa tem as áreas de engenharia de produtos e financeira, enquanto a área comercial está descentralizada a nível das 15 subsidiárias.

"Hoje temos pessoas de 24 nacionalidades. É uma situação complexa que exige ferramentas de gestão à distância: uma intranet em inglês (100 mil páginas), que é uma peça fundamental e uma rede de voz privada que une todos os escritórios".

Mas também há reuniões trimestrais. Por exemplo, a última Altitude Tech Days juntou 150 pessoas em Lisboa, das quais 70 vieram do estrangeiro. "Somos uma empresa horizontal e gerida de baixo para cima e que aceita a diversidade cultural. Mas os processos de negócio da empresa são sagrados em todas as latitudes e nunca são postos em causa", sublinha o presidente executivo da Altitude.