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O cerne da questão

Veículos eléctricos O futuro é instalar um motor eléctrico nas rodas do automóvel.

Exclusivo Expresso/The Economist

Nos mais recentes veículos eléctricos, tanto experimentais como de série, estão a aparecer diversas inovações que afectam toda a estrutura, desde a bateria ao motor, até aos sistemas de controlo. A necessidade de os pôr todos a funcionar em sintonia está a motivar um total reequacionamento da forma como os automóveis devem ser concebidos e fabricados. E não é claro que tecnologias irão dominar, à medida que os limites impostos pelos motores de combustão interna forem sendo substituídos pelos novos limites e possibilidades associados à propulsão eléctrica. Mas há um grupo de engenheiros que arriscaram o seu pescoço ao afirmarem que a tecnologia específica de um motor eléctrico na roda irá tornar-se o sistema de propulsão mais amplamente utilizado.

Um motor do cubo de roda, conforme o seu nome indica, é instalado no cubo de uma roda e propulsiona-a directamente, em vez de haver um único motor que propulsiona as rodas através de uma transmissão eléctrica. A ideia pioneira é de Ferdinand Porsche, que fundou há mais de 100 anos a fábrica de automóveis com o mesmo nome. O sr. Porsche teve o seu primeiro emprego na indústria automóvel trabalhando para Jacob Lohner, em Viena, e instalou motores eléctricos nos cubos das rodas do Lohner-Porsche, um automóvel que se estreou durante a Feira Mundial de 1900 em Paris. Tratava-se de um automóvel híbrido com baterias e um gerador para produção de electricidade para os motores. Com capacidade para atingir mais de 56 km/h (35 mph), bateu uma série de recordes de velocidade.

Na feira de tecnologia Deutsche Messe, que se realizou esta semana em Hanôver, investigadores do Fraunhofer Institute apresentaram um veículo eléctrico que está a ser utilizado como plataforma de ensaio para investigar novos sistemas de veículos. Inclui motores eléctricos do cubo de roda que foram desenvolvidos para serem substancialmente mais potentes que qualquer outro motor desse tipo actualmente disponível. Os motores têm todos os sistemas potenciais e de controlo necessários integrados no cubo da roda, reduzindo em grande parte o número de ligações entre os motores do cubo de roda e a restante viatura.

Considerando que estes motores podem transmitir energia de forma independente a cada uma das rodas, truques como a tracção às quatro rodas são possíveis. Sendo cada uma das rodas monitorizada através de software, o controlo da estabilidade e da tracção também pode ser integrado. Além de dispensarem a tradicional caixa do motor no automóvel, os motores do cubo de roda poupam espaço e peso, visto não haver necessidade de existir uma transmissão mecânica, com os respectivos veios de transmissão e unidades diferenciais.

Alguns críticos da tecnologia consideram que a instalação de pesados motores eléctricos nas rodas do automóvel terá um efeito negativo sobre o manuseamento do veículo. No entanto, Hermann Pleteit, director de projecto num dos 33 centros de investigação do Fraunhofer que juntaram forças para trabalhar na viatura experimental, argumenta que o chassis e muitas outras peças do veículo podem ser configurados de forma a compensar este facto.

Existem diversos fabricantes de automóveis e fornecedores de peças interessados nos motores do cubo de roda. A Michelin, por exemplo, está a desenvolver um sistema que designa por 'roda activa' (Active Wheel). Além de um motor eléctrico que acciona a roda, contém um segundo motor eléctrico que opera um sistema de suspensão activo, o qual é também integrado no cubo da roda. A Michelin calcula que esta configuração, que está a ser actualmente ensaiada em automóveis, pode tornar outras peças convencionais, como por exemplo os amortecedores, desnecessárias.

Este tipo de roda, de facto, transformaria a Michelin de fabricante de pneus em fornecedor de motores e suspensões também. Vêm aí muitas outras mudanças para as empresas do ramo automóvel, dizem os engenheiros do Fraunhofer, porque algumas peças já não serão procuradas para as viaturas eléctricas, sendo no entanto necessárias outras peças novas em substituição. Assim, à medida que a propulsão eléctrica se instala, não será apenas a forma e a dinâmica das viaturas propriamente ditas que mudará mas também a da indústria automóvel.

(c)2010 The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados. Em The Economist, traduzido por Alice Stilwell para Impresa Publishing, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com