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Ministro holandês incendeia mercados financeiros

As respostas do presidente do Eurogrupo ao Financial Times e à Reuters provocaram uma subida dos juros e do prémio de risco das dívidas de Portugal, Espanha e Itália. Bolsas de Madrid e Milão são as mais penalizadas.

As bolsas de Madrid e Milão caíram mais de 2% e as yields da dívida pública a dez anos de Portugal, Espanha e Itália subiram no mercado secundário, apesar do Eurogrupo ter chegado a um acordo sobre Chipre e do Banco Central Europeu ter levantado a ameaça de suspensão das linhas de emergência de liquidez à banca cipriota. Uma bancarrota em Nicósia foi evitada e uma eventual saída do euro foi travada na reunião do Eurogrupo, o que começou por ser considerado positivo.

Mas as respostas ao Financial Times e à Reuters do ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo desde janeiro, Jeroen Dijsselbloem, provocaram um abalo nos mercados financeiros, sobretudo na Europa. O responsável do Eurogrupo diz que a estratégia foi alterada e que os mecanismos europeus de resgate (incluindo o futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade) vão deixar de apoiar a reestruturação e recapitalização dos bancos da zona euro e que os depositantes considerados não garantidos (com depósitos acima de 100 mil euros) vão ser considerados "investidores" nos bancos e chamados a assumir perdas (no caso de Chipre através da consideração dos seus depósitos como ativos tóxicos ou sofrendo um imposto extraordinário).

Juros das OT sobem para 6,07%

As yields das obrigações do Tesouro a dez anos fecharam hoje em 6,07%, acima dos 6,02% no fecho de sexta-feira. Também as yields das obrigações espanholas subiram de 4,86% para 4,96%, entre sexta-feira e hoje, e as yields dos títulos do Tesouro italiano subiram de 4,49% para 4,61% no mesmo período. No caso grego, as yields desceram. O contágio das palavras do ministro holandês foi seletivo.

O prémio de risco também aumentou hoje para as dívidas portuguesa, espanhola e italiana. O prémio de risco da dívida portuguesa subiu de 4,64 para 4,74 pontos percentuais entre 22 e 25 de março.