Siga-nos

Perfil

Economia

Dívida

Crise de Chipre dificulta regresso aos mercados

Os juros a dez anos das obrigações do Tesouro fecharam hoje em 6,37% no mercado secundário. Antes da reunião do Eurogrupo do final de semana passado, os juros haviam fechado em 6,02%.

Continuou a trajetória de subida das yields das obrigações do Tesouro (OT) português no mercado secundário fortemente influenciada pela crise de Chipre e pelo contágio negativo que o "modelo" de resgate adotado está a provocar nos mercados financeiros.

As yields das OT a dez anos fecharam hoje em 6,37%, prosseguindo uma trajetória de subida desde a última reunião do Eurogrupo no final de semana passado em que foi aprovado o plano definitivo de resgate de Chipre, segundo dados da Bloomberg. Na sexta-feira passada, as yields naquele prazo haviam fechado em 6,02%. O nível de yields está, agora, claramente acima dos 5,82%, registado a 23 de janeiro, o dia do designado regresso ao mercado obrigacionista pelo IGCP, a agência de gestão da dívida pública portuguesa. Também o prémio de risco subiu naquele período de 4,64 pontos percentuais a 22 de março para 5,1 pontos percentuais no fecho de hoje, segundo dados da Datosmacro. A crise cipriota e a sua onda de choque introduz um elemento de maior incerteza sobre o momento para a nova emissão de longo prazo pelo IGCP.

O movimento de subida das yields é sincronizado ao conjunto dos "periféricos" que negoceiam obrigações a dez anos no mercado secundário. Entre 22 e 27 de março, as yields das obrigações reestruturadas gregas subiram de 11,88% para 12,84%, as relativas às obrigações espanholas de 4,82% para 5,08%, e, por fim, as relativas aos títulos do Departamento do Tesouro italiano de 4,52% para 4,78%. A mesma trajetória no prémio de risco que representa o diferencial entre as yields dos Bunds (designação dos títulos alemães), e das obrigações dos "periféricos" no prazo a dez anos.

Itália coloca €15,4 mil milhões

O Departamento do Tesouro italiano realizou hoje um conjunto de emissões de dívida, com um resultado "misto" em termos de taxas médias pagas aos investidores, em plena crise cipriota e com Itália ainda sem governo saído das últimas eleições. As taxas de cobertura situaram-se entre 1,22 e 1,64. Na emissão a 5 anos colocou €3,9 mil milhões, mas pagou 3,9%, uma taxa média superior aos 3,65% verificados na emissão similar anterior. Na emissão a 10 anos, emitiu €3 mil milhões, tendo pago uma taxa média de 4,66% inferior à de 4,83% em emissão similar anterior. O Tesouro italiano colocou ainda €8,5 mil milhões pagando uma taxa média de 0,83%, mais baixa do que em operação similar anterior.