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Controlo de capitais em Chipre durante uma semana

Entram hoje em vigor as medidas de controlo de capitais sobre o sistema financeiro. Durante sete dias, haverá um "euro cipriota". É a primeira vez na zona euro.

As autoridades cipriotas impuseram a partir de hoje mecanismos temporários de controlo de capitais em relação ao sistema financeiro da ilha, conforme já tinha sido decidido pelo Parlamento cipriota e como foi reforçado pela última reunião do Eurogrupo de domingo e da madrugada de segunda-feira passada.

Na zona euro, passou a haver dois euros - o euro "normal", em curso nos outros 16 membros, e o euro cipriota, que é inconvertível. A medida de controlo de capitais é tomada antes do final do "corralito" dos bancos, que estiveram fechados desde 16 de março e que deverão reabrir amanhã.

O ministro das Finanças cipriota, Michalis Sarris, afirmou ao "Financial Times" que as medidas de controlo de capitais serão diferenciadas, adaptadas banco a banco. As medidas limitarão os levantamentos, as transferências de contas, e os movimentos transfronteiriços. Há rumores de que os britânicos estarão a discutir com as autoridades de Nicósia um "regime especial" para os depositantes e empresas em Chipre, bem como para os reformados britânicos residentes na ilha.

Guntram Wolff,  diretor do think tank Bruegel, sediado em Bruxelas, afirmou que com esta medida o Chipre excluiu-se - ainda que temporariamente, segundo as previsões oficiais - da moeda única.

A Bloomberg recorda hoje que o controlo de capitais quando aplicado em outras circunstâncias de bancarrota ou pré-bancarrota, como na Ásia e América Latina, se estendeu pelo menos entre seis meses a dois anos e que, no caso da Islândia, dura há cinco anos, desde 2008.

É certo que Chipre pertence formalmente a uma zona monetária única e que a Comissão Europeia e o Eurogrupo irão acompanhar as medidas de controlo de capitais, como afirmaram estes últimos dias, mas a incerteza instalou-se nos mercados financeiros sobre esta duplicidade do euro e sobre a aplicação futura do novo modelo de bail in a países com sistemas financeiros em risco revelado pelo presidente do Eurogrupo na entrevista ao "Financial Times" e à Reuters e confirmado como estando em estudo na Comissão Europeia por Chantal Hughes, porta-voz do comissário Michel Barnier.

Primeira onda de impacto na Grécia

O ministro das Finanças grego Yannis Stournaras informou o governo em Atenas de um provável impacto de uma primeira onde de contágio em virtude do controlo de capitais em Chipre.

Segundo o jornal grego "Kathimerini", Stournaras teme uma corrida às sucursais dos bancos cipriotas Banco de Chipre, Laiki (que foi dissolvido) e Banco Helénico que foram adquiridas pelo Banco do Pireu esta semana. O ministro teme ainda pelo impacto do hair cut sobre depósitos acima de 100 mil euros (um corte que pode ir de 30 a 40% no caso do Banco de Chipre e de 80% ou mais no caso do Laiki) que vai ser aplicado às empresas gregas com operações em Chipre.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio grega, 1600 empresas gregas de turismo, comércio e marítimas estão sediadas em Chipre.