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Desfile de ganhos europeus

Desfile de ganhos europeus

A internacionalização para Oriente será o caminho das marcas de roupa que, por enquanto, se degladiam na Europa e nos EUA pelas preferências dos consumidores

Luís Leitão

A cada estação que passa, os estilistas preparam com afinco as suas colecções e as grandes cadeias de retalho mudam as montras das suas lojas. O objectivo é só um: cativar o maior número de clientes a entrar nas suas lojas e a gastar o mais que puderem. Porém, nos tempos que correm, esta tarefa é cada vez mais difícil.

A crise financeira, que teve o seu epicentro nos EUA e se alastrou pela Europa, tem vindo a reduzir o poder de compra dos consumidores europeus, em resposta a uma forte pressão do encarecimento da prestação da casa e do constante aumento dos bens alimentares. Mas ao contrário do que se poderia prever, o sector do retalho de vestuário está longe de atravessar um mau momento, pelo menos a contar com os resultados do líder europeu de confecção de roupa, a Inditex, que fechou o ano com um crescimento de 15 por cento das suas vendas.

Se, para já, a estratégia de diversificação tem servido para fugir dos problemas económicos norte-americanos e europeus, para o futuro espera-se que a expansão do grupo espanhol para Oriente possa rechear ainda mais os cofres da Inditex, que actualmente são 1,21 vezes superiores ao total de dívidas do grupo. Por essa razão, a abertura da primeira loja Zara Home e Massimo Dutti na Roménia e as 2 lojas Zara na Coreia do Sul, abertas no final de Abril, deram ainda mais alento às perspectivas dos analistas que seguem a empresa e que apontam para que, nos próximos 4 anos, os lucros por acções venham a crescer a um ritmo anual de 13,75 por cento.

Mundo Zara

Quando, em 1975, um cliente cancelou uma grande encomenda de lingerie, Amancio Ortega pensou que a sua loja de roupa, recém-criada, caminharia brevemente para a falência. Sem compradores interessados, Ortega arregaçou as mangas e partiu em direcção à Corunha para abrir uma loja perto da sua fábrica e passou a ser ele mesmo a vender.

Na altura, o empresário espanhol deu-lhe o nome de Zara e, desde então, nunca mais parou de vender e crescer. O ano passado não fugiu à regra: com mais de 3800 lojas espalhadas pelos 4 cantos do mundo, a Inditex conseguiu facturar 9,4 mil milhões de euros, 15 por cento mais do que em 2006.

Com um império erguido no sector têxtil, Ortega, de 71 anos, é dono de uma fortuna pessoal avaliada em 18,2 mil milhões de euros, que segundo a revista norte-americana "Forbes", o torna no homem mais rico de Espanha. Os seus feitos empresariais têm até surtido elogios de concorrentes seus, como foi o caso de Daniel Piette, o principal estilista da Louis Vuitton, que descreveu Ortega como "possivelmente o pequeno comerciante mais inovador e mais arrasador do mundo".



Aproveitando o bom momento da máquina espanhola e para compensar os seus accionistas que sofreram um pesado prejuízo causado pelo tombo de 23 por cento da cotação das suas acções, a administração do grupo espanhol já anunciou a intenção de vir a distribuir cerca de 652 milhões de euros sob a forma de dividendos, que, sendo aceite, representará um incremento de 25 por cento aos dividendos distribuídos no ano passado. Porém, Richard Chamberlain, analista da JPMorgan, mostra-se algo apreensivo quanto ao caminho futuro das vendas da marca Zara, considerando que "podem estar no pico e as receitas da Oysho e da Zara Home podem vir a encolher como resultado de uma estratégia de rápida expansão".

Concorrência a leste e a oeste

A abertura das fronteiras à globalização abalou as contas de muitos retalhistas. Portugal é um desses exemplos: todos os meses fecham fábricas têxteis como resposta a uma feroz concorrência dos baixos preços de produção praticados nos mercados asiáticos e do Leste europeu.

Todavia, enquanto que o sector têxtil nacional continua a afundar, empresas como a Hennes & Mauritz e a Benetton recorrem à globalização para aumentar as suas receitas e conquistar quota de mercado. Até agora os resultados têm sido positivos.

No caso da sueca H&M, os seus índices de rendibilidade são dignos de nota: por cada euro investido a empresa liderada por Rolf Eriksen consegue gerar 45 cêntimos de lucro, enquanto que a média do sector se fica pelos 16,6 cêntimos. Além disso, é de notar que não só a estratégia de internacionalização da empresa sueca pela Europa, EUA e países asiáticos como a China, o Dubai e o Kuwait tem sido alimentada quase sem recorrer a financiamento bancário como ainda tem guardado em cofre dinheiro suficiente para pagar a pronto 3,5 vezes o total da sua dívida. Por todas estas razões, os analistas que seguem a empresa apontam para que os próximos 4 anos proporcionem aos accionistas da H&M um crescimento médio dos lucros anuais de 14 por cento.



De olho na rivalidade de suecos e de espanhóis está a empresa italiana fundada em 1955 por Luciano Benetton. Com uma estratégia muito focada na responsabilidade social e no combate à discriminação racial, a Benetton tornou-se numa marca humanitária.



À primeira vista, a Benetton pode até nem convencer os investidores a apostarem na empresa, já que o crescimento das suas vendas não foi tão estonteante como as retalhistas anteriores e que o tombo das suas acções, de 26,88 por cento no último ano, foi bem superior às perdas da Inditex e da H&M. Porém, é a retalhista europeia de vestuário que apresenta um valor de mercado mais próximo do seu valor contabilístico e uma das retalhistas que oferece das mais elevadas taxa de dividendos.