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Abutres do mercado

Abutres do mercado

No Reino Unido, há empresas que estão a alimentar-se das consequências que a crise económico-financeira está a provocar no tecido empresarial britânico

Joaquim Madrinha

Segundo os dados do Office for National Statistics, o número de insolvências na Inglaterra e no país de Gales no terceiro trimestre subiu 26 por cento face ao período homólogo. No período analisado encerraram mais de 4 mil empresas e segundo um estudo elaborado pela Federation of Small Businesses, cerca de 40 por cento das pequenas e médias empresas britânicas equacionam encerrar até ao final do ano. Porquê? Falta de liquidez.

As dificuldades dos bancos britânicos em conseguirem dinheiro para emprestar está a levá-los a cortar as linhas de crédito às pequenas e médias empresas, forçando-as a encontrar novas fontes de financiamento ou a encerrar a actividade. Foi o que aconteceu a Peter Pratt. Uma semana depois de falar com o seu banco e de este lhe ter assegurado que a linha de crédito da sua empresa estava segura, o gestor e fundador de uma pequena empresa, a PP Engineering, recebeu uma carta do HSBC a ordená-lo para liquidar a conta de factoring da empresa, avaliada em 133 mil euros, até ao final de Janeiro e a avisá-lo que a taxa de juro até lá seria superior à contratada inicialmente. "Pensei que teríamos de encerrar a empresa", disse Pratt à Bloomberg.

Confrontado com a possibilidade de ter de encerrar actividade, Pratt recorreu aos serviços da Ultimate Finance Group, uma empresa de serviços financeiros, especializada em contratos de factoring e outras modalidades de financiamento. "Os principais fornecedores de dinheiro desapareceram e estas empresas podem desempenhar um papel importante na concessão de crédito às pequenas empresas", disse Tom Mills, um analista da gestora de activos Daniel Stewart & Company, sediada em Manchester. Até Junho, as autoridades britânicas estimam que empresas como a Ultimate Finance Group tenham financiado mais de 47 mil empresas num valor que ascende a 18,9 mil milhões de euros.

Com um terço das 4,7 milhões de pequenas empresas britânicas em dificuldade para obter financiamento, que permita a continuidade da actividade, a maioria está a recorrer a serviços de consultoria em insolvências e a espoletar um boom de crescimento no sector. Companhias como a Begbies Traynor, que ajudou o clube de futebol Wrexham FC a evitar a falência, e a Tenon Group, estão a contratar pessoal para fazer face à procura dos seus serviços. O mesmo para a Vantis. A empresa que está a gerir a famosa loja de moda "Miss Sixty", que entrou em processo de insolvência em Outubro, está a transferir empregados desta para sua divisão de recuperação financeira de empresas. É assim, tal como na natureza. As desgraças de algumas empresas são a fortuna de outras.

4 "abutres"

Enquanto a maior parte das empresas luta contra a crise, estas alimentam-se dela

Empresa P/L

Rendibilidade

1 ano
Comentário
2008 2009
Ultimate Finance Group 46x 5,48x -43,88% Está a subsbtituir-se aos bancos que facultavam linhas de crédito a pequenas e médias empresas
Begbies Traynor 28,72x 18,24x 4,04% Teve de abrir 4 escritórios este ano e vai aumentar o número de empregados em 20 por cento até Abril para fazer face à procura dos seus serviços
Tenon Group 8,96x 6,67x -41,83% Cerca de 25 por cento das vendas da empresa em 2009 serão provenientes dos serviços de recuperação de empresas, contra 19 por cento, em 2008
Vantis 4,97x 4,16x -57,05% Estima que a facturação na sua área de serviços de consultoria em falências aumente em 30 por cento em 2009
Fonte: Bloomberg.P/L = preço÷lucros por acção a 12 meses. Rendibilidades em euros. 16 Dezembro de 2008.