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Seguir os analistas nem sempre é a melhor decisão

Algumas das acções menos recomendadas do índice Standard & Poors no início do ano estão entre os títulos com maiores valorizações em 2010.

Luis Caleira Marques (www.expresso.pt)

As acções com recomendações menos positivas por partes dos analistas do mercado norte-americano no início do ano estão entre os melhores investimento de 2010.

O banco regional Huntington Bancshares Inc. de Columbus, no estado do Ohio, que tinha em Dezembro duas vezes mais analistas a recomendar a venda do que a compra dos títulos, regista o quarto maior ganho entre as acções do índice Standard & Poors ao acumular mais de 66%. A Eastman Kodak e a Sunoco também contrariaram as indicações dos analistas. No início do ano, cerca de um terço dos especialistas que seguia as acções em bolsa recomendava vender os títulos das empresas. No entanto, quase seis meses depois, ambas companhias registam ganhos superiores a 20%. 

Empresas cíclicas são mais pressionadas

Embora os economistas tenham previsto a maior expansão desde 2004 para a economia do Estados Unidos da América, as empresas que estão mais dependentes do crescimento norte-americano têm a maior proporção de recomendações de "vender". Os bancos, promotores imobiliários e a indústria automóvel obtêm em média ganhos de 12% este ano. "O melhor tipo de empresas para investir são aquelas em relação às quais a expectativa da grande maioria dos analistas é negativa, mas conseguem-se ver sinais de melhoria", de acordo com Thomas Wilson, director de investimentos da Brinker Capital, empresa de consultadoria financeira e gestão de activos, sediada em Berwyn, no estado da Pensilvânia. "Não estamos interessados em acções que apenas têm recomendações e rácios favoráveis, devido às expectativas serem bastante elevadas".

Para este ano os analistas estavam mais optimistas relativamente a sectores cujos lucros não estão tão ligados ao crescimento económico, de acordo com os dados recolhidos pela Bloomberg. A Coca-Cola tinha 14 recomendações de "compra" e apenas uma de "venda" em Dezembro, no entanto as suas acções desvalorizaram 8,2%. Mais de 52% das recomendações para as indústrias farmacêuticas e informática eram positivas, no entanto, a Pfizer, a maior empresa farmacêutica do mundo perde 16% da sua capitalização bolsista este ano, apesar de 81% dos analistas que seguem a acção recomendarem a "compra" das acções.

Seguir a multidão nem sempre compensa

"Seguir a multidão pode levar o investidor ao sítio errado na hora errada", indica Barry James, presidente executivo da James Investment Research Inc., empresa de consultadoria financeira situada em Xenia, estado de Ohio. "Quando os analistas estão todos a bordo, dizendo que apenas coisas boas podem acontecer, isso já se encontra reflectido no preço. Já não há muitos ganhos possíveis". Ir contra a corrente no que diz respeito a investimentos bolsistas pode ter resultados bastante positivos para a sua carteira. Esta estratégia de investimento tem como um dos seus gurus David Dreman, fundador da gestora de activos Dreman Value Management, LLC e autor do livro Contrarian Investment Strategies. O principal objectivo desta estratégia passa por aproveitar as oportunidades que são geradas por movimentos em massa de investidores, que por vezes não têm fundamento nos rácios e na evolução do negócio da empresa, mas sim em análises mais subjectivas.