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Os melhores seis meses para investir

Será que deve vender as suas acções em Maio e voltar ao mercado só em Novembro? A história das bolsas indica que a estratégia "sell in may and go away" tem sido muito lucrativa tanto nos EUA como na bolsa lisboeta. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva

Imagine que comprava acções que replicassem o índice PSI-20, o principal índice bolsista português, desde 1993, mas dividindo o ano em metades. Durante os seis meses de 1 de Novembro a 30 de Abril vivia as "ondas" do mercado e nos restantes seis, de 1 de Maio a 31 de Outubro ausentava-se, procurando outras soluções menos arriscadas como obrigações ou depósitos a prazo.

Sabe quanto teria hoje se tivesse investido 10 mil euros em cada um dos 17 semestres de Novembro a Abril que separam 1993 e 2010 e se tivesse saído anualmente do mercado em Maio para voltar em Novembro? 25854 euros é o valor que teria acumulado se o retorno tivesse acompanhado o desempenho do PSI-20 (e sem contar com comissões de corretagem e de guarda de títulos), o que contrasta com os 3518 euros que lhe restariam se tivesse investido apenas nos seis meses entre Maio e Outubro.

É a esta estratégia, conhecida por "sell in may and go away", que se atribuem também os impressionantes registos da bolsa norte-americana nas páginas do Stock Trader's Almanac 2010: se um investidor estado-unidense tivesse decidido investir 10 mil dólares por ano desde 1950 em acções que replicassem o índice mais antigo dos EUA, o Dow Jones Industrial Average, teria, em 2008, cerca de 474 mil dólares, se tivesse apenas seguido o mercado accionista de Novembro a Abril, com um retorno médio semestral de 7,3%. Se os investimentos fossem realizados entre Maio e Outubro de cada ano, desde 1950, então quem investira estaria hoje com menos dinheiro, 8012 dólares.

Encarada pelos cépticos como um caminho aleatório, a estratégia ou indicador "sell in may and go away", pode assentar em alguns factores sazonais. Menor volume de acções transaccionado durante os meses de Verão, pagamentos de prémios aos trabalhadores e compras dos fundos de pensões podem alterar o rumo dos mercados nos meses de Abril a Outubro.

Contudo, a força dos números e da história não escreve sempre o mesmo texto. No ano passado, os retornos bolsistas do período entre Maio e Outubro na bolsa portuguesa superaram os retornos do período entre Novembro de 2008 e Abril de 2009, por mais de 14 pontos percentuais. Resultado que contrasta com a história desde 1993, já que o retorno médio dos seis meses entre Maio e Outubro está nos -0,02%, enquanto a rendibilidade do PSI-20 nos 17 semestres entre Novembro e Abril desde 1993 ronda os 13%.

John Dorfman, colunista da Bloomberg e presidente da Thunderstorm Capital, em Boston, indica na sua coluna de hoje que, se se tiverem em conta as tendências sazonais, "Maio é um bom mês para eliminar uma carteira", embora reconheça que nunca fica completamente desprovido de acções, mas que "entre Maio e Outubro, os investidores devem exigir argumentos convincentes antes de adicionar uma acção ao portefólio".