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Invista na bolsa como os gurus

Saiba como Warren Buffett, Peter Lynch, William O'Neill e George Soros escolhem acções para comprar e invista como os melhores investidores do mundo.

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Gere €41 mil milhões, tem 36 acções em carteira e lidera a companhia norte-americana Berkshire Hathaway, mas é pelo seu ímpar resultado na escolha de acções que é mais famoso. Warren Buffett conseguiu aumentar o dinheiro das participações bolsistas da companhia de Omaha em mais de 20% por ano entre 1965 e 2009, qualquer coisa como transformar um dólar em 4340 dólares num espaço de 45 anos. Buffett que segue a estratégia de valor criada por outro "mago" do investimento, Benjamin Graham, é apenas um dos homens famosos por "fazerem" muito dinheiro na bolsa, um mercado implacável para os investidores menos cautelosos. "O mercado, como Deus, ajuda aqueles que se ajudam a si próprios. Mas ao contrário de Deus, o mercado não perdoa os que não sabem o que estão a fazer", descreveu já o superinvestidor.

Se homens como Peter Lynch, William O'Neil, George Soros e o pai da estratégia de valor (escolher acções com preços abaixo do seu valor real, mas com fundamentais e balanços sólidos a longo prazo) Benjamin Graham não foram abençoados, pelo menos fizeram muito pela vida nas suas carreiras. Tanto que os seus registos ficam marcados por estratégias seguidas, hoje, em muita da literatura financeira e nos manuais de investimento que tentam ajudar os pequenos investidores a serem grandes. Num mercado bolsista que, só na Europa Ocidental, tem mais de 9000 acções cotadas, todos os apoios de quem mais sabe podem ser úteis para criar a sua própria máquina de fazer dinheiro num mercado que mostrou que pode ser muito cruel nos últimos anos de crise.

O "valor" de Graham a Buffett

Em 1949 era editado aquele que ainda hoje é considerado como o manual por excelência da análise de acções e que abriu caminho à estratégia de valor (value investing), o "The Intelligent Investor". Benjamin Graham que defendia que os investidores deviam olhar para as acções como parte de um negócio e não seguir as flutuações normais dos preços no curto prazo, acreditava que quem quisesse comprar títulos das empresas deve comprar abaixo do valor intrínseco, seguindo atentamente os resultados e os balanços das companhias para assim juntar à carteira títulos subavaliados nos mercados. Os ensinamentos do investidor e professor que trabalhou em Wall Street resultaram da experiência da Grande Depressão dos anos 1930 e ainda hoje se mantêm como sólidos critérios: relação P/VC (preço face ao valor contabilístico) a desconto P/L (preço face aos lucros de 12 meses por acção) baixo e taxas de dividendos elevadas.

A influência do professor da Universidade de Columbia no seu aluno Warren Buffett foi tão forte que o "oráculo de Omaha", como é conhecido Buffett, não só continuou a estratégia de valor do pai da análise de acções como também incluiu Graham no nome do seu filho. A partir daí, Buffett estabeleceu os princípios da sua estratégia: empresas líderes de mercado, com P/L e P/VC baixos, boas pagadoras de dividendos e com preço abaixo do valor intrínseco. Uma estratégia que lhe valeu mais de 11% de ganho anual acima do desempenho das 500 maiores companhias do mercado accionista norte-americano entre 1965 e 2009. Nomes como Coca-Cola, Wal-Mart e Kraft Foods ajudam a preencher o grupo de 36 acções que Buffett mantinha em carteira até Março deste ano.

Três crivos lucrativos

Além dos dois maiores expoentes do investimento em valor, Peter Lynch e William O'Neil recolhem grande atenção no mundo dos investimentos bolsistas. Lynch, o "camaleão" de Wall Street, ficou conhecido por ter tomado as rédeas do fundo Fidelity Magellan em 1977 e o ter transformado no maior fundo de investimento do mundo, ultrapassando o mercado em mais de 13% anualmente. O investidor que procura acções de empresas no negócio de produtos de consumo corrente, com marcas fortes e que rejeita as acções da moda preferindo as small caps (empresas de pequena capitalização) e as participadas pela gestão partilhou com os outros investidores a sua estratégia em três obras, "One Up On Wall Street", "Learn to Earn" e "Beating The Street". Comprar apenas o que o investidor compreende, deter acções de empresas com forte liquidez e pouco alavancadas e pensar no longo prazo são outros 'mandamentos' de Lynch.

Quanto a O'Neil, é conhecido por ter sido o mais jovem a ter um lugar na bolsa de Nova Iorque, com apenas 30 anos, e por procurar acções de crescimento, isto é, que estejam em sectores ou mercados com amplo terreno de expansão e com elevada potencialidade de lucros. A estratégia que traçou e que ficou conhecida como CANSLIM no seu livro "How To Make Money In Stocks" passa por comprar acções que tenham uma boa história de lucros, que tenham um factor de novidade, como uma nova administração ou novos produtos, que sejam de empresas de pouco idade e com boa posição de mercado no seu negócio. Além destes critérios, William O'Neil acredita em acções que são detidas por investidores institucionais, mas que não sejam controladas por este tipo de investidores.

Também há alguns gurus de investimento que ganharam um lugar na história de investimento à custa da raiva das autoridades britânicas. Tido como o "homem que faliu o Banco de Inglaterra" por ter vendido libras num valor superior a dez mil milhões de dólares, George Soros foi também o presidente do Soros Fund Management que mantém um impressionante registo do Quantum Fund, fundo que teve o melhor desempenho em 26 anos, transformando 1000 dólares investidos em 1969 em 4 milhões em 2000. Soros mantém uma carteira com mais de 800 acções que se baseia na noção de que os investidores individuais influenciam o mercado e a economia e que os agentes transaccionam mais frequentemente movidos por aspectos emocionais do que por cálculos lógicos. No primeiro trimestre de 2010, o guru juntou à sua carteira empresas como a brasileira Petrobras e o banco norte-americano JP Morgan numa lista de compras de mais de 280 acções diferentes compradas em apenas 90 dias.

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Junho.