Siga-nos

Perfil

Economia

Estratégias

Golos no Mundial sofrem-se na Bolsa

Se segue a bolsa de perto não vai querer perder o Mundial de Futebol na África do Sul. Saiba como o futebol chega aos mercados. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

O que é que mercados financeiros e futebol têm em comum? Provavelmente são poucas as evidências que liguem um desporto como o futebol e o comportamento das bolsas, mas os corretores e gestores de carteiras devem ter debaixo de olho os confrontos na África do Sul.

Clique para aceder ao índice do Dossiê Mundial-2010

Um estudo de 2007 de três académicos da Universidade da Carolina do Norte que investigou o comportamento da bolsa em 39 países nas fases finais do Mundial de Futebol desde 1974, concluiu que uma derrota na segunda fase do Mundial leva a um desempenho dos principais índices nacionais de menos 0,49 pontos percentuais face à média no dia seguinte ao jogo. À agência Bloomberg, Diego Garcia, um dos autores do estudo "Sports Sentiment and Stock Returns" admitiu que "para os países nos quais o futebol é muito importante, o efeito é ainda maior".

Ainda assim, se as derrotas se sentem nas bolsas, as vitórias não parecem influenciar os desempenhos das acções, mas alguns investidores acreditam num sentimento positivo das conquistas do futebol. "As pessoas vão sentir-se melhor e vão gastar mais e gostar mais das coisas", acredita Keith Wirtz, chefe de investimentos da norte-americana Fifth Third Asset Management, que conclui que "isso ajuda a economia e significa acções mais elevadas e lucros maiores".

Futebol é mau para acções americanas

Se as derrotas parecem levar os investidores a refrear as compras ou aumentar as vendas, os mais de 12 mil quilómetros que separam a África do Sul de Nova Iorque podem não ser suficientes para evitar que o evento desportivo tenha impacto nas acções. O índice S&P 500, que junta as 500 maiores acções norte-americanas, desce em média 1,7% durante o Mundial de Futebol, segundo a nova-iorquina Bespoke Investment Group que estudou o comportamento dos mercados desde a primeira competição de 1930. Além desta indicação histórica, nos três meses seguintes à competição, o S&P 500 perde em média, 0,4%.

Semelhante conclusão retirou Ralph Baddour da TorontoMed.com. Usando os números dos campeonatos desde 1950 até 2006 e simulando estratégias de corretagem nos períodos de campeonato do Mundo, os resultados indicam que o índice S&P 500 perde em média 2,11% durante os cerca de 30 dias que dura a competição.

Compras ajustadas ao vencedor

Além de efeitos negativos nas bolsas, que efeitos postivos podem ter os vencedores do Mundial de África do Sul nos mercados accionistas? Matthew Lynn, colunista da Bloomberg, aconselha alguns movimentos na bolsa, seguindo os principais candidatos ao título, que, se não produzirem bons retornos podem pelo menos "levar a um sorriso".

Se a Espanha ganhar, os investidores devem investir no euro porque será mais fácil aos governantes no rescaldo dos festejos pedirem mais austeridade. Caso seja o Brasil o vencedor, investimentos nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) são os recomendados por Lynn que indica que se a Argentina vencer, acções petrolíferas e de extracção mineira são as escolhas certas. Para o colunista, com a selecção conduzida por Diego Maradona, com historial de drogas, os investidores vão tirar uma lição: "gestão conta pouco", o que interessa é a matéria-prima, como Lionel Messi.

Além destes potenciais vencedores, campeões como Inglaterra devem significar compras no mercado londrino, a Holanda vencedora deve levar a compras de acções tecnológicas e uma Alemanha campeã deve levar à aposta na queda do euro. Porquê? Porque, segundo o colunista "vão pensar ainda mais porque razão eles ligaram a sua economia a um grupo de mediterrânicos preguiçosos".