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Últimas entradas em bolsa prejudicaram investidores

Das últimas cinco empresas que entraram para a bolsa nacional, apenas a Galp está a dar lucro aos investidores. As restantes perdem em média 40%.

Jorge Pires (www.expresso.pt)

A entrada em bolsa é um dos momentos altos para qualquer empresa e, certamente, um dos mais ambicionados. Para quem investe, é mais uma oportunidade de tentar multiplicar o dinheiro na sua carteira. No entanto, as últimas quatro ofertas públicas de venda (OPV) iniciais da praça nacional traduziram-se, até agora, num fracasso para os accionistas que nelas investiram, já que perderam em média 40%.

Andando para trás no tempo, a última OPV da praça nacional realizou-se há pouco mais de dois anos, quando a EDP Renováveis começou a ser negociada em bolsa. Mas a empresa, apesar de ser uma das maiores companhias mundiais no aproveitamento eólico, não tem enchido de energia os seus accionistas. Quem comprou no momento da oferta inicial, a 8 euros, neste momento conta com uma desvalorização de 38%, já que a cotação da empresa, na passada semana, fechou a 4,95 euros. No entanto, a grande maioria dos 32 analistas (21 especialistas) compilados na agência Bloomberg aconselha os investidores a "comprar" os títulos da companhia e espera que a sua cotação possa chegar aos 7,13 euros nos próximos 12 meses.

Mais atrás, o ano de 2007 foi rico em OPV na bolsa nacional, mas pobre em lucros. Das três empresas que entraram em negociação, nenhuma consegue dar valor aos accionistas. A primeira empresa a entrar em negociação, foi a SAD do SL Benfica, em Maio. Com a subscrição inicial a 5 euros por acção, os investidores da SAD "encarnada" vêem os seus títulos marcar golos na própria baliza, já que até sexta-feira passada, as acções já tinham desvalorizado 45%.

Martifer desce, Galp sobe

Ainda assim, é a Martifer quem tem exigido maior capacidade de sofrimento e a que tem prejudicado mais os accionistas. Desde o início da sua negociação na Euronext Lisboa, as acções da empresa já desvalorizaram mais de 76%, tendo iniciado a sua negociação a 8 euros e fechado a sua cotação a 1,88 euros, na sexta-feira passada. Os analistas na Bloomberg estão divididos entre "comprar" e "manter", no que diz respeito à empresa liderada por Carlos Martins, e apresentam uma possível valorização das acções em 82%, para os 3,44 euros, no próximo ano.

A outra empresa que iniciou a negociação nesse ano foi a REN. A empresa que opera as infraestruturas de transporte de energia, é aquela que mexe menos no sobe e desce dos mercados das últimas empresas que iniciaram a negociação na praça nacional. Sendo assim, a sua desvalorização é mais reduzida, na ordem dos 1,82%, já que as acções da REN abriram negociação a 2,75 euros e fecharam a semana passada a cotar nos 2,70 euros. A recomendação dos analistas é unânime: "comprar", sendo que a acção pode crescer mais de 30%, para os 3,55 euros, segundos a estimativa dos mesmos.

Para os investidores que gostam de comprar acções na entrada das empresas para bolsa é preciso recuar ao ano de 2006 para encontrar a última empresa que está a criar valor para os accionistas, a Galp Energia. A empresa de Murteira Nabo e Ferreira de Oliveira, desde o inicio da sua negociação na praça portuguesa já cresceu mais de 121%, tendo fechado a semana a cotar nos 12,85 euros, bem acima dos 5,81 registados em 2006. Mas os analistas vão mais além, e 15 dos 21 especialistas recomendam "comprar", sendo que estimam que o preço possa chegar aos 14,26 euros, uma subida de 10% em relação ao valor actual.

Os números das empresas mais jovens na bolsa. portuguesa

Fonte: Bloomberg. P/L=preço/lucros de 12 meses por acção. P/VC=preço/valor contabilístico. n.a=não aplicável. n.d.=não disponível. Preço-alvo com base no preço-alvo médio atribuído pelos analistas. 18 de Junho de 2010.