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Telefonar ou llamar, o que interessa é a Vivo

A empresa disputada por portugueses e espanhóis viu os lucros crescerem 120% no ano passado e tem mais de 50 milhões de brasileiros como clientes. Para os analistas, é tempo de se meter no meio da luta ibérica e comprar acções da Vivo.

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Tem Pelé como rosto de publicidade, opera a maior rede de telefones móveis do Brasil e no último ano os lucros cresceram 120%. É esta a empresa que os espanhóis da Telefónica querem, mas que a Portugal Telecom não vende, pelo menos pelo valor actual da oferta a rondar os 5,7 mil milhões de euros. Portugal Telecom e Telefónica detêm 59,4% do capital da companhia brasileira em partes iguais, através da Brasilcel, mas agora a Telefónica veio admitir a possibilidade de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) à empresa portuguesa.

A companhia no epicentro da "batalha ibérica", a Vivo Participações, que junta diversas empresas de telefonia móvel, como a Telemig Celular, a Telesp Celular e Tele Centro Oeste, tem tido um desempenho bolsista invejável para muitas empresas do sector nos países desenvolvidos. As acções cotadas em São Paulo subiram quase 22% por ano (em euros) nos últimos cinco anos e em Nova Iorque, mercado ao alcance dos investidores nacionais e onde está também cotada, subiram mais de 8% (em euros), quando o mercado de acções mundiais crescia cerca de 3% por ano. Ainda assim, no Brasil, a Vivo cresceu menos em bolsa do que muitos dos seus parceiros de mercado, uma vez que o índice brasileiro Bovespa, que junta 66 membros, subiu praticamente 27% por ano durante este período enquanto as acções ordinárias da companhia de telefonia móvel cresceram 21,9%.

Bancos indicam potencial de subida

Com espanhóis e portugueses frente-a-frente num potencial confronto em OPA hostil, para os investidores particulares fará sentido comprar um pedaço do capital da empresa que, só nos primeiros três meses de 2010, já viu os lucros crescerem 44%?

Para o JPMorgan, "apesar da rejeição da PT, as notícias devem ser positivas para a Vivo (dado o alto prémio oferecido)" e os analistas acreditam que a empresa está "atractiva" devido aos seus fortes cash flows da brasileira, lê-se numa nota de 11 de Maio do banco. O JPMorgan recomenda a compra de acções da brasileira cotadas em Nova Iorque, atribuindo um preço-alvo de 36 dólares (29,48 euros), quando as acções não valiam ontem mais de 26,34 dólares (21,535 euros), o que poderia representar um potencial ganho de 37% para os investidores.

É este também o sentido da recomendação do Citigroup aos investidores: comprar. No "The Globalizer" mais recente, o banco indica que "uma nova oferta iria impulsionar as acções da Vivo assim que os investidores procurem colar-se ao prémio, mesmo que a PT rejeite". Se a Portugal Telecom rejeitar uma nova oferta "o prémio das acções ordinárias sobre o das acções preferenciais deve ficar perto dos 30%", indicam os analistas do "Citi" que apontam para um preço potencial de 78 reais (34,15 euros) em São Paulo, numa altura em que os títulos rondam os 69,01 (30,46 euros), atingindo o valor mais alto das últimas 52 semanas.

A Vivo Participações controlava 30,12% do mercado de telecomunicações móveis brasileiras nos primeiros três meses do ano, segundo a nota de resultados da companhia, com 53,9 milhões de clientes e, nos últimos cinco anos, as receitas mais do que duplicaram, aliciando hoje os accionistas das acções ordinárias com uma taxa de dividendos na ordem dos 3,03%.