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De vento em popa

De vento em popa

O negócio da Iberdrola Renovables cresce a olhos vistos: a capacidade produtiva aumentou mais de 80 por cento em 2007 e ainda tem muito espaço para alargar

David Almas

há uma revolução energética em curso: por cada hora que passa, a energia eólica é responsável por mais 2 megawatts de capacidade instalada global de produção eléctrica. Isto quer dizer que, até 2015, as torres eólicas espalhadas por todo o mundo terão capacidade para satisfazer as necessidades de 240 milhões de habitantes, o equivalente a quase metade da população da União Europeia. Os investidores que querem seguir este vento de mudança têm de procurar as companhias mais voltadas para o sector eólico. "A eléctrica espanhola Iberdrola ultrapassou a FPL Energy na liderança da capacidade eólica em 2007 com mais de 6,9 gigawatts", lê-se num comunicado publicado no início de Abril pela Emerging Energy Research, uma consultora na área das energias renováveis. Porém, isso foi em 2007: entretanto, a Iberdrola separou o negócio de energias renováveis, a Iberdrola Renovables, e aumentou a sua capacidade eólica instalada para 7,8 gigawatts. Aliás, no último ano, essa capacidade aumentou mais de 80 por cento, relectindo a aquisição das operações da ScottishPower implantadas nos EUA, no Reino Unido e na Irlanda. Depois da Iberdrola Renovables e da FPL Energy, a terceira posição da lista mundial de produtores de energia eólica pertence "ex aequo" à portuguesa EDP e à espanhola Acciona.

"Com os alvos viáveis de fusões e de aquisições a diminuir, permanecer no topo das listas globais de produção eólica exige um acréscimo de capacidade de, pelo menos, 500 megawatts por ano", explica Joshua Magee, director da Emerging Energy Research. Isso não é um problema para a Iberdrola Renovables: a sociedade, em que 80 por cento do capital pertence à casa-mãe, a Iberdrola, tem uma carteira de projectos que ascende a 42 gigawatts, dos quais mais de 15 gigawatts têm uma probabilidade de êxito superior a 40 por cento. Chris Rogers e Javier Garrido, analistas do banco de investimento JPMorgan, dizem que um aumento anual de 2 gigawatts "é muito seguro".

Diversificação energética

Embora o vento seja responsável por cerca de 2 terços da facturação da Iberdrola Renovables, que já faz parte do principal índice de acções espanholas, o Ibex 25, o grupo tem ainda uma importante actividade de armazenamento de gás e negociação de energia nos EUA e de produção de electricidade a partir de centrais mini-hídricas. Além disso, a sociedade, cuja oferta pública de subscrição em meados de Dezembro serviu para reduzir a dívida contraída junto da sua casa-mãe, avança para novas áreas energéticas: solar termoeléctrica, fotovoltaica, biomassa e marítima.

No prospecto de admissão à Bolsa de Madrid, o administrador-delegado, Xabier Viteri Solaun, explicou que o primeiro risco da Iberdrola Renovables é meteorológico: "A sociedade não pode garantir as condições de vento." Porém, há outro importante risco: a reduzida oferta de turbinas eólicas face à procura mundial. Para fazer frente a isso, a empresa tem assinado contratos de compra de turbinas, que já valem cerca de 3000 milhões de euros.

Para os investidores, o grande risco são os maus ventos que sopram no mercado accionista. Contudo, a promessa de distribuir entre 20 por cento e 25 por cento dos lucros como dividendos aproxima os investidores à Iberdrola Renovables, cujo maior activo em Portugal é o parque eólico do Alto de Monção, com uma capacidade de 32 megawatts, embora a produção lusa possa subir para 122 megawatts nos próximos 3 anos.











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