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Coca-Cola e Pepsi: "colas" anti-crise

Nos últimos 20 anos, as duas empresas norte-americanas cresceram anualmente a um ritmo de 10% na bolsa e nem a crise financeira deixou "sair o gás" das companhias que vendem mais agora do que antes da turbulência na economia.

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Se no século XIX eram produtos de invenção farmacêutica, no século XXI as duas bebidas gaseificadas, Coca-Cola e Pepsi-Cola, são pilares de empresas que valem, juntas, mais de 50 mil milhões de euros em receitas. A outrora alcoólica Coca-Cola e a antiga bebida para ultrapassar a falta da enzima pepsina, a Pepsi-Cola, têm adocicado as bocas em vários continentes. A mais antiga Coca-Cola, marca principal da "The Coca-Cola Company", sediada em Atlanta, vendeu mais de 24,4 mil milhões de unidades da sua famosa bebida em 2009, qualquer coisa como 3,5 unidades por cada um dos 6,8 mil milhões de habitantes do planeta.

Para a PepsiCo, empresa que detém a bebida Pepsi-Cola, os refrigerantes têm sido acompanhados de snacks muito lucrativos uma vez que além da marca Pepsi-Cola, que vale mais de 19 mil milhões de dólares em receitas, o grupo vende mais 18 "mega marcas" que ultrapassam o montante de um milhão de dólares, como as batatas Lay's e Ruffles, as tiras de milho de Doritos e os Cheetos.

Para os accionistas, o sabor tem sido ainda mais aliciante. Nos últimos cinco anos, os títulos da Coca-Cola subiram 7,20% por ano, ultrapassando os também bons retornos da PepsiCo, que neste período cresceu anualmente 5,93% na bolsa. Para trás ficaram os registos das 500 maiores empresas norte-americanas do índice S&P 500, que durante os últimos cinco anos subiram apenas 2,40% e nem os anos de crise financeira, 2008 e 2009, tiraram o "momento" às duas marcas competidoras.

As receitas da PepsiCo cresceram 7,8% entre 2007 e 2009, enquanto as vendas da Coca-Cola subiram 5,7% durante os dois anos turbulentos na economia mundial. O famoso investidor Warren Buffett, líder da Berkshire Hathaway, foi um dos beneficiados com o desempenho da Coca-Cola, já que a empresa de Atlanta era até ao final de 2009, a acção com maior peso (19,68%) na carteira de participações da empresa do "oráculo de Omaha", como é conhecido.

Bom cenário no futuro

Agora, os analistas financeiros acreditam que há mais gás nas duas acções que apresentaram um crescimento dos lucros de 26% (PepsiCo) e de 19,7% (Coca-Cola) no primeiro trimestre de 2010. As recomendações das casas de investimento apontam maioritariamente para a compra das duas empresas, mas os especialistas acreditam que a companhia detentora de marcas como a Sprite e os sumos "Minute Maid", está mais barata que a PepsiCo. Entre os preços-alvo emitidos, os analistas estimam que a Coca-Cola, a transaccionar a 54 dólares (42,68 euros) na bolsa de Nova Iorque, pode subir mais 13% nos próximos meses, uma subida potencial mais forte do que a estimada para os títulos da PepsiCo, que poderá rondar os 10%, de acordo com os números compilados pela agência Bloomberg.

Numa nota de research do banco JPMorgan de final de Abril os analistas reforçavam a compra da Pepsi já que "há medida que o mercado ficar mais confortável com o crescimento, alvos de sinergia e timing," o banco acredita que "os rácios possam continuar a melhorar face a outras multinacionais de consumo". Os riscos para a empresa que é agora uma "compra convicta" de outro banco, Goldman Sachs, vêm do possível abrandamento do negócio internacional e da área Frito-Lays, assim como da subida de preços de matérias-primas energéticas e agrícolas.

Ainda assim, nos primeiros três meses de 2010, o grupo liderado pela presidente executiva Indra Nooyi teve mais 26% de lucros, justificados pela compras de duas das suas engarrafadoras e pelo negócio internacional de bebidas e snacks, puxados por China e Índia, onde o crescimento do volume vendido alcançou os 25% em 2009.

Fonte: Bloomberg. P/L=preço/lucros de 12 meses por acção. Rendibilidade em euros. Recomendação média com base nas notas dos analistas compiladas pela Bloomberg. Potencial de valorização com base no preço-alvo médio e o preço actual. 12 de Maio de 2010.

Quanto à Coca-Cola, a décima empresa mundial "mais admirada", segundo a revista Fortune, pode ser a acção certa para apanhar o comboio do crescimento a nível global. "A forma mais segura de investir globalmente são as multinacionais", indicava há dias Louis Navellier, director executivo da norte-americana Navellier & Associates, à revista Forbes, oferecendo como exemplos a Coca-Cola, empresa que opera globalmente e que tira vantagem, segundo o gestor, de obter receitas em moeda local na Ásia ou na América Latina.

Detida em 8,67% por Buffett, a Coca-Cola vende hoje mais 5,8 mil milhões de unidades da sua bebida do que vendia em 1990, período que puxou para cima as acções do grupo ao ritmo superior a 10% por ano, mesmo com várias crises neste intervalo, como a crise asiática dos anos 1990 e a bolha das tecnológicas no virar do século.