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Cinco acções resistentes ao aumento dos impostos

Dado o ténue crescimento económico previsto para Portugal em 2010 e o recente aumento do IRC, os investidores devem concentrar-se nas empresas que mais facturam no estrangeiro. Saiba quais.

Luis Caleira Marques (www.expresso.pt)

Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o produto interno bruto (PIB) nacional deverá crescer 0,3% em 2010. Para as empresas que facturam sobretudo no mercado nacional é um valor que não permite grandes perspectivas de crescimento dos lucros e, mesmo que existam, o recente aumento da taxa do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) em 2,5% para as empresas que lucrem mais de 2 milhões de euros, penalizam os cenários de resultados fortemente. Para fugir ao marasmo económico que se instalou em Portugal e que não permite que o crescimento económico atinja mais de 0,7% em 2011, segundo o FMI, privilegiar as empresas com exposição ao exterior e a economias com conjunturas mais favoráveis, pode ser o comportamento mais acertado para os investidores.

A Portugal Telecom (PT) tem andando nas bocas do mundo devido à oferta feita pela espanhola Telefónica para adquirir a Vivo, a operadora de telecomunicações móveis brasileira detida em partes iguais pelas duas empresas. Embora a oferta tenha atingido os 5,7 mil milhões de euros, não convenceu a administração da PT, que de pronto rejeitou a oferta. Para a operadora portuguesa "a Vivo é um activo essencial para a estratégia da PT e a venda dessa participação iria contra as perspectivas de crescimento a longo prazo da PT". Em números, a Vivo é responsável por 46,3% das receitas totais da PT e por 93% das receitas obtidas pela empresa fora de Portugal. Zeinal Bava não se deu, assim, ao luxo de alienar a maior fonte de receitas da PT, em particular, quando esta está presente numa economia que parece estar alheada da crise económica mundial. Segundo os dados do FMI, a economia brasileira deverá expandir-se 5,5% em 2010 e mais 4,1% em 2011, valores que justificam as palavras crescimento económico.



No sector da distribuição, a Jerónimo Martins (JM) é outra empresa a ter em conta devido à exposição ao mercado polaco. De acordo com as estimativas do FMI, o PIB da Polónia deverá crescer 2,7% em 2010 e 3,2% no ano seguinte, uma expansão que deverá beneficiar a JM, que actua no mercado polaco através das lojas Biedronka. Em 2009, os supermercados "Joaninha" representaram 48,7% das receitas da JM, um peso que aumentou para 55,6% no primeiro trimestre de 2010, exercício no qual a empresa registou um aumento de 30% dos lucros. Talvez por isto, não têm faltado elogios à estratégia de internacionalização da JM. Para os analistas do Banif - Banco de Investimento, "a Jerónimo Martins é uma das melhores histórias de investimento em Portugal em 2010".



Se PT e Jerónimo Martins têm metade do seu negócio no estrangeiro, a Sonae Indústria é uma das empresas do PSI-20 que tem menor quantidade de receitas provenientes do território nacional com as operações realizadas na Península Ibérica a representarem apenas 1,16% do total das vendas. O negócio da companhia ligado aos aglomerados de madeira está bastante correlacionado com a actividade económica e com o mercado imobiliário, em particular. No entanto, 37,3% das receitas da empresa são oriundas da Alemanha, a economia mais forte da Zona Euro, 11,5% da França e 11,5% do Canadá, economia que deverá crescer acima dos 3% em 2010 e 2011.

No primeiro trimestre do ano, a empresa continuou na senda dos prejuízos, no entanto, entre os cinco analistas que acompanham as acções da empresa, a recomendação de compra é unânime. 



Também a EDP Renováveis faz do estrangeiro a sua casa, já que uma larga percentagem das suas receitas vem do exterior, reservando a Portugal apenas 19,08% das vendas da empresa. Os seus principais mercados são o espanhol, responsável por 40,77% das receitas, e os Estados Unidos, responsável por 31,67%.

No primeiro trimestre de 2010, a EDP Renováveis obteve lucros de 42,6 milhões de euros, menos 15% que no período homólogo, mas dos 32 analistas que acompanham os títulos da empresa, 20 recomendam a compra das acções e somente um aconselha a venda.



No sector da produção e comercialização de cimento, a Cimpor, que viu os seus accionistas alterarem-se radicalmente em 2010, obtém mais de três quartos das suas receitas fora de Portugal. Embora em 2009 o seu principal mercado tenha sido o nacional, que representou 22,58% das receitas, no primeiro trimestre de 2010, o mercado brasileiro foi a principal fonte de receitas.

No primeiro trimestre de 2010 a Cimpor lucrou 45,6 milhões de euros, menos 11% que no primeiro trimestre de 2009, situação que a empresa atribui à "contracção do mercado ibérico, em particular de Espanha". Talvez devido à conjuntura económica na Península Ibérica, dos sete analistas que acompanham as acções, cinco aconselham a venda das mesmas e somente um "diz" para comprar.