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BP em derrame de valor

Depois dos ambientalistas e da administração norte-americana, agora são os investidores a colocar a empresa em "xeque". Segundo o mercado de opções norte-americano, as acções da petrolífera podem perder mais 63% durante próximo mês. Clique para visitar o canal Dinheiro

Luis Caleira Marques (www.expresso.pt)

Com o presidente dos Estados Unidos a querer "dar um chuto no rabo" dos responsáveis da British Petroleum (BP), a empresa responsável pelo maior desastre ambiental desde o protagonizado pelo petroleiro Exxon Valdez encontra-se na mira dos ambientalistas de todo o mundo e da população dos Estados Unidos. Será esta uma boa altura para por a empresa na mira da sua carteira?

A BP tão cedo não irá esquecer o dia 20 de Abril de 2010. Desde o dia da explosão da plataforma de exploração petrolífera no Golfo do México, os cientistas norte-americanos estimam que o poço tenha derramado entre 20 e 40 mil barris diários.

Além das implicações ambientais, o derrame já custou 1188 milhões de euros à petrolífera, conforme comunicado no dia 10 de Junho. No entanto, como o derrame ainda não foi controlado, o valor irá continuar a aumentar e há estimativas de que as operações de limpeza poderão atingir um valor entre os 2,5 e os 5 mil milhões de euros.Porém, além das implicações financeiras, o acidente está a gerar uma péssima imagem da empresa junto da população local. Tony Hayward, o presidente da comissão executiva da BP não tem contribuído para acalmar a situação, devido a algumas frases infelizes tais como "a BP apenas é responsável pela limpeza, a culpa do derrame é do operador da plataforma" e "gostaria de ter a minha vida de volta". Confrontado com a possibilidade de se demitir, Hayward indicou que "não me passou pela cabeça. Certamente que passou pela cabeça de outras pessoas, mas não pela minha". Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América, indicou que se Hayward fosse seu empregado, já o teria despedido.

A BP tem feito todos os possíveis para minimizar os efeitos negativos para a sua imagem de toda esta situação. A empresa informou que irá contratar 4500 pessoas que se encontram desempregadas para colaborar na limpeza das praias atingidas pela maré negra, tendo também colocado em acção um plano de marketing agressivo para indicar aos americanos que irá efectuar tudo o que for preciso para parar o derrame. A notoriedade desta situação é tão elevada que as pesquisas no Google por oil spill - derrame de petróleo -, e BP ultrapassaram as pesquisas por celebridades tais como Paris Hilton e Britney Spears. Mesmo com todo este investimento em marketing, um grupo de utilizadores americanos criou uma página no Facebook a apelar ao boicote à BP, uma forma de protesto que conta já com 550 mil utilizadores daquela rede social.

Reestruturação à vista?

Embora existam ainda várias questões por responder, tais como o impacto que terá sobre a fauna marítima e se algum responsável pela situação irá enfrentar pena de prisão, há pelo menos uma certeza. Segundo uma simulação realizada por uma organização do governo dos EUA a mancha de petróleo irá atingir os estados da Florida, Geórgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte, o que implicará enormes custos de compensação para a petrolífera. Para os especialistas do banco de investimento Credit Suisse, a BP poderá ter de suportar custos de 30 mil milhões de euros no longo prazo, um valor de tal forma elevado que a fazer pensar numa potencial falência da empresa ou de algumas unidades da companhia, de modo a obrigar a uma reestruturação da petrolífera.

A British Petroleum (BP) é uma empresa que opera no sector energético, ligada principalmente ao petróleo. A empresa sediada no Reino Unido está no Top 5 a nível mundial do seu sector, tendo obtido no ano passado um volume de negócios de 172 mil milhões de euros. Embora a maior parte das notícias que tem surgido recentemente sejam negativas para a BP, o primeiro trimestre deste ano ficou marcado por um aumento no volume de negócios de 54% comparado com o período homólogo de 2009. No entanto, o mercado no qual a empresa será mais afectada, o dos Estados Unidos da América (EUA), foi responsável em 2009 por 35,10% do volume de negócio da empresa.

Agências de rating pressionam

A contribuir para a desvalorização das acções estiveram os cortes no seu rating efectuados pela Fitch e pela Moody's, que indicaram que poderão ocorrer novas revisões da notação de risco da companhia, caso não se consiga estancar a fuga num período apropriado. Na bolsa, a evolução dos títulos da empresa tem reflectido o problema. Desde o dia da explosaão, as acções já perderam 40% do seu valor e o futuro próximo poderá revelar mais derrame de valor.

Uma análise às recomendações realizadas pelos analistas que seguem os títulos da BP, revela algum optimismo. Entre 40 profissionais, 27 recomendam "comprar" e apenas 1 recomenda "vender". Alguns, como o analista Fred Lucas do banco de investimento JP Morgan, "a desvalorização da empresa foi excessiva".

A descida da cotação das acções da empresa fez com que actualmente a empresa detenha os rácios Preço por Lucro e Preço por Lucro estimado mais baixos do sector das petrolíferas, registando ainda a maior taxa de dividendo. Os analistas que seguem a acção recomendam comprar a acção e dão-lhe inclusivamente um potencial de subida de 72%, dos 4,44 euros que se registaram no fecho da sessão de 10 de Junho até aos 7,64 euros que a média dos analistas considera ser o preço que a acção pode atingir.

Porém, nos EUA, reina o pessimismo. No mercado de opções, as posições curtas - de venda - sobre os títulos da petrolífera revelam que as acções podem cair mais 63% durante o próximo mês. Ou seja, tudo indica que até à resolução definitiva do problema e à contabilização dos prejuízos totais que a empresa terá de suportar, as acções da BP irão continuar a derramar valor.

P/L 5,33x P/L estimado 5,52x P/VC 1,06x Recomendação média Comprar Preço €4,44 Preço alvo médio €7,64 Taxa de dividendo 8,97% Rendibilidade 1 ano -28,73% Rendibilidade desde 20 de Abril -40,82%.

Fonte Bloomberg. Rendibilidades em euro. P/L=preço/lucros por acção nos últimos 12 meses . P/VC=preço/valor contabilístico por acção nos últimos 12 meses. Preço-alvo médio com base nos preços emitidos pelos analistas nos últimos 12 meses. Recomendação média com base nas recomendações atribuídas pelos analistas nos últimos 12 meses. Dados: 10 de Junho de 2010