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Bancos pequenos mais resistentes na bolsa

Nos últimos cinco anos, o conjunto dos bancos mais pequenos cotados no PSI Geral obteve um desempenho 14% superior ao conjunto dos três grandes bancos cotados . Mas isto não significa que sejam melhor geridos. Saiba porquê. Clique para visitar o canal Dinheiro

Jorge Pires (www.expresso.pt)

Nem sempre os mais pequenos são os mais fracos. Esta máxima aplica-se para o sector bancário cotado na praça nacional. Nos últimos 5 anos, os bancos do índice principal português que engloba as 20 maiores empresas, o BES, BCP e BPI não conseguiram bater os bancos que estão cotados apenas no PSI Geral, o Banco Popular, Santander, o Banif e o Finibanco. A explicação principal para isto, é o facto de os bancos do PSI Geral serem muito menos líquidos que os três gigantes portugueses. Analisando apenas o sector da banca, mais de 90% do volume transaccionado é dos três maiores bancos nacionais cotados.

Grandes bancos estão mais expostos

Os maiores bancos do mercado nacional, representam mais de 20% do índice de referência nacional. Até ao dia 23 de Abril, ainda antes do corte da Standard & Poor's do rating do Estado, os três gigantes portugueses já tinham perdido em média 15% desde do início do ano. Isto deve-se sobretudo ao facto do sector financeiro ser o mais prejudicado pela crise actual, aliado ao facto de o risco soberano estar na ordem do dia. Para João de Deus, advisor da corretora Dif Broker, "o sector financeiro pode continuar a sofrer caso Portugal continue 'nas bocas do mundo', verificou-se isso no caso grego em que o sector financeiro está constantemente a ser penalizado". Dos três bancos, e desde do ínício do ano até ao dia 23 de Abril, o BES é o líder das perdas. O banco de Ricardo Salgado perdeu perto de 20%, tendo atingido o  mínimo de um ano no dia 20 de Abril. Já o Banco BPI perdeu 14,43% e o BCP perdeu pouco mais de 10%.

Fraca liquidez protege bancos pequenos

Os quatro bancos que apenas se apresentam no PSI Geral, representam menos de 2% do índice geral português. Desde do início do ano, este conjunto de bancos, perdeu 7%. Um dos factores, e talvez o mais importante, é o facto de estes bancos terem pouca liquidez no mercado bolsista, o que faz com que as suas cotações não oscilem muito. João de Deus confirma, ao afirmar que "grande parte dos investidores prefere acções com alguma liquidez. As cotadas que estão fora do PSI-20, o seu volume de negociação é mais baixo o que afasta os investidores."

O destaque vai para o Banco Popular, que subiu 7,6% desde o inicio do ano. Para esta subida muito contribuiu o facto de o banco espanhol ter o menor rácio de eficiência da banca europeia, a situar-se em 30%. O rácio de eficiência avalia o esforço financeiro que o banco realiza para gerar receitas. Logo, quando menor, melhor. O Banif, de Horácio Roque, perdeu em bolsa 13,60% e o espanhol Santander perdeu um pouco mais, cerca de 14%. Já o Finibanco, o banco menos transaccionado do mercado português, perdeu 7% em bolsa desde do inicio do ano.

Futuro mantêm-se incerto

No último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a instituição refere que o sistema financeiro global e a economia mundial estão a recuperar lentamente, sobretudo, devido em grande parte à ajuda estatal. A enorme correlação entre o risco soberano e o sistema financeiro faz com que os bancos mais expostos, sejam os mais prejudicados, quando o risco se agrava. Recentemente, o aumento da dívida dos governos, faz com que o risco soberano represente uma nova ameaça para o sistema financeiro. "A evolução do sistema financeiro em Portugal poderá ser mais rápida ou lenta conforme os desenvolvimentos em relação à questão do risco soberano, não só em Portugal, o risco soberano pode afectar o sistema financeiro mundial.", afirma João de Deus.

Hoje, a bolsa segue a recuperar após as autoridades europeias terem definido o plano de ajuda à Grécia, com o sector bancário a ser um dos maiores impulsionadores. As acções dos três maiores bancos ganhavam entre 10% e 15%. Os bancos mais pequenos também ganhavam valor, embora de forma menos exuberante.

Fonte: Bloomberg. Valores a 23 de Abril de 2010.