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Acções dos EUA são mais desejadas

Apesar da correcção dos mercados norte-americanos aumentados por erros de negociação, há cada vez mais investidores a pensar comprar acções do outro lado do oceano e os especialistas indicam que os fundamentais se mantêm intactos. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Desde o início de 2010, os dois lados do Oceano Atlântico vivem ambientes diferentes: se na margem europeia as águas são turvas, do lado norte-americano já se pescam alguns ganhos. O índice S&P 500, que agrega as 500 maiores empresas dos EUA, subiu quase 17%, enquanto na Europa, as 50 maiores acções no EuroStoxx 50 perderam 10% do seu valor. Em Portugal, o cenário é ainda pior. A bolsa nacional é a sexta que mais cai entre 92 das principais bolsas mundiais, só ultrapassada nas quedas por Venezuela, Grécia, Chipre, Eslováquia e Espanha, com descidas do PSI-20 que já vão quase nos 17%.

Com a crise grega a agudizar-se e com cada vez mais economistas a duvidarem da força da Zona Euro e da coesão da união monetária, os olhos estão a voltar-se para os EUA. Num inquérito realizado pela sociedade gestora Schroders a 95 intermediários financeiros europeus e do Médio Oriente, 65% admitiram que pretendem comprar acções norte-americanas neste ano, contra apenas 24% dos que pensam comprar acções europeias e 14% que deverão adquirir títulos japoneses. Os sentimentos são agora também mais positivos para o dólar. A moeda que ganhou mais de 10% ao euro desde o início de 2010, era vista como potencial perdedora em Outubro de 2009, mas agora os intermediários acreditam que vai ter melhor desempenho que o euro e as outras principais moedas.

Analistas vêem oportunidade nas quedas

Mesmo com a queda dos mercados de ontem de mais de 3%, impulsionada pela negociação automática, a maior descida diária nas acções norte-americanas desde Abril de 2009, os especialistas continuam a acreditar no mercado mais rentável que o europeu. "Quase todos os 'bull markets' têm uma correcção a dada altura e essa altura pode ser agora", referiu à Bloomberg Jeff Rubin, autor do livro "Porque é que o seu mundo vai ficar muito mais pequeno", que acredita que o índice S&P 500 creça ainda 17% até ao final do ano, dos 1128 para os 1325 pontos. "Os fundamentais mantêm-se intactos", acredita Stephen Wood, que gere um fundo de 176 mil milhões de dólares. Para Thomas Lee, gestor do JPMorgan Chase as acções norte-americanas estão mesmo mais atractivas numa altura em que a economia e os lucros recuperam.

Além do sentimento positivo face ao mercado norte-americano, os números esperados para as duas margens do Atlântico são bem distintos. Em 2010, a ainda maior economia do planeta deverá ver o seu PIB crescer 3,1% enquanto a Zona Euro não deverá ultrapassar os 0,96% de crescimento, segundo o Fundo Monetário Internacional. Quanto ao desemprego, os EUA também levam a melhor nas estimativas: a Zona Euro deverá terminar o ano com uma taxa de desemprego de 10,52% face aos 9,41% dos EUA.

As norte-americanas mais desejadas

Se os investidores desejam comprar acções dos EUA ainda este ano, os analistas dos bancos de investimento indicam as suas preferências. Entre as 500 empresas do S&P 500, as acções mais vezes recomendadas para compra face às recomendações de vender e manter, são a CMS Energy, a Flowserve, a Republic Services, a Apple e a Express Scripts. A CMS Energy opera no estado do Michigan fornecendo electricidade e gás natural e é a empresa mais consensual no mercado, mas a Flowserve ,que produz materiais para a indústria petrolífera, e a Republic Services, envolvida nos negócios do tratamento de lixos, seguem de perto nas escolhas dos intermediários financeiros agregados pela agência Bloomberg.

As preferidas dos analistas nos EUA Empresas que reúnem um maior consenso de compra entre os analistas presentes na Bloomberg.