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Eco-condução pode poupar mais de 800 milhões

Saber guiar melhor e de uma forma mais eficiente reduz consumo de combustível e emissões de CO2, conclui estudo da ACAP.

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

A adopção de práticas de condução mais eficientes e adequadas à actual tecnologia dos veículos, pode representar para o país uma redução até 20% do consumo de combustível. "Esta redução implicaria uma poupança anual superior a 834 milhões de euros em combustível e mais de 1750 mil toneladas de CO2", concluiu um estudo sobre eco-condução promovido pela ACAP (Associação Automóvel de Portugal), em parceria com o Instituto Superior Técnico (IST), Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), BP, Ford Lusitana, Valorpneu e CarChip.

Segundo a ACAP, "os resultados apresentados não devem ser negligenciados por parte dos poderes públicos e sociedade civil, pois evidenciam a eco-condução como uma área de actuação promissora, de baixo custo, e que ajuda o país a atingir compromissos ambientais assumidos". As boas práticas ao nível da condução permitem reduzir o consumo de combustível, as emissões de poluentes e o desgaste do veículo, aumentando o conforto e a segurança. 

Carros portugueses responsáveis por 1/3 das emissões do país 

"A melhor forma é começar pela eco-condução", defendeu Tiago Farias, do IST, ao frisar que os cinco milhões de veículos que circulam em Portugal são responsáveis por um terço das emissões de CO2 do país. E de acordo com dados do European Climate Change Program (ECCP), a adopção de uma nova cultura de condução poderá representar uma poupança potencial de 50 milhões de toneladas de CO2 ao nível dos transportes europeus. "Vencer a topografia e o atrito aerodinâmico; a aceleração; e os equipamentos periféricos, como o ar condicionado", é que o que faz consumir mais combustível num automóvel, lembrou Tiago Farias.

"A eco-condução não é um substituto das novas tecnologias, é um complemento e pode traduzir-se numa redução de 25% no consumo de combustível e de 35% no índice de sinistralidade", acrescentou Diogo Rezende, presidente da Ford Lusitana. Para maximizar a eficiência, "a situação ideal de condução de um automóvel está na zona de intercepção entre binário e potência, e o motor dever permanecer em baixa rotação na mudança mais alta", recomenda este especialista. 

 

O Projecto Eco-Condução Portugal foi conduzido em três fases, contando com a participação de 20 condutores, em 20 carros diferentes. "Ao longo de oito meses, foram recolhidas mais de 5000 horas de dados, ao longo de 250 mil quilómetros de percursos e rotinas muito diferentes", explicou Sofia Taborda, coordenadora do estudo. O primeiro objectivo consistiu em determinar o perfil dos condutores, seguindo-se uma acção de formação tendente a melhorar os hábitos de condução e a monotorização diária do seu comportamento. "O impacto imediato é significativo, com uma redução de 10% nos consumos a médio-prazo. O condutor é um elemento fundamental e o estudo revelou mudanças permanentes na condução", assegura a mesma responsável.

Este estudo, cuja coordenação científica esteve a cargo do Instituto Superior Técnico, foi apresentado na conferência "Indústria Automóvel: Contributo para uma Mobilidade Sustentável", hoje realizada, no âmbito das comemorações do Centenário da ACAP.