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Dívida: Juros a cinco anos estabelecem novo máximo

As yields das obrigações do Tesouro a cinco anos no mercado secundário fecharam, terça-feira, em 6,32%, um novo máximo desde a adesão ao euro. Em simultâneo, as yields para as maturidades a dez anos ficaram acima de 7%. Voltámos à linha vermelha

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Esta terça-feira assistiu-se, de novo, a um movimento de deterioração das condições de crédito nos países da zona euro sob observação (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e Bélgica) dos mercados da dívida. A probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) aumentou nos seis casos e as yields (juros implícitos) dos títulos do Tesouro no mercado secundário também.

Esta tendência negativa ocorreu apesar dos bons resultados na colocação de obrigações a cinco anos pela Facilidade Europeia de Estabilização Financeira (a que recorreu a Irlanda). A emissão teve uma procura mais de oito vezes superior aos 5 mil milhões colocados e pagará uma taxa de remuneração de 2,89%, acima da yield para os títulos alemães (Bunds). O Financial Times considerou que se tratou de um "grande voto de confiança" dos investidores em todo o mundo. Os japoneses haviam anunciado que tomariam 20% dessa colocação.

Portugal, Espanha e Reino Unido em foco

Portugal bateu o recorde de agravamento nas yields nas obrigações do Tesouro a cinco anos e a Espanha foi a terceira maior subida do risco de default, depois do Reino Unido que viu o risco disparar 10%, depois do "choque" da manhã de que o país entrara em recessão no quarto trimestre de 2010, e do Egito em que o aumento foi de 8,6%, um país que está a ser mais afetado pelo contágio da Revolução de Jasmim tunisina.

No caso de Espanha, o problema da solvência das Cajas, as caixas de poupança, continua a provocar nervosismo entre os investidores que não sabem a quanto montará o plano da sua recapitalização. Uma dor de cabeça que se sobrepôs ao leilão de bilhetes do tesouro a três e a seis meses pelo Tesouro espanhol que colocou mais de €2,2 mil milhões a taxas médias inferiores à das operações anteriores similares. A procura foi cinco vezes superior à oferta, mas o valor adjudicado ficou muito abaixo dos valores nominais solicitados (que totalizavam €11,8 mil milhões).

Apesar de menos mediatizados, os juros das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a cinco anos são, também, importantes. Eles atingiram esta terça-feira no mercado secundário um novo máximo, desde a adesão ao euro, de 6,32%. No caso dos juros das OT em maturidades a dez anos, eles regressaram para terreno acima da linha vermelha, fechando em 7,05%, segundo dados da Bloomberg.

As amplitudes de variação, durante o dia, destes juros a cinco e dez anos indicam que o mercado poderá "testar" esta semana níveis mais altos, se não voltar a haver uma intervenção massiva do Banco Central Europeu, que, na expressão do professor catalão Santiago Becerra, parece que entrou, nos últimos meses, no "regime de bar aberto".

Em virtude da deterioração verificada no crédito a Portugal, a probabilidade de default da dívida portuguesa voltou, novamente, acima de 32% e o país subiu um degrau no "clube" dos 10 países com maior risco na dívida, estando agora, de novo, em 5º lugar, acima da Argentina e abaixo da Irlanda, de acordo com o monitor deste risco da CMA DataVision.

As bolsas portuguesa e espanhola fecharam no vermelho, com quebras superiores a 1%.