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O melhor seguro de saúde para si

Exclusões, períodos de carência e limites de idade. Saiba quanto pode custar um seguro para a sua saúde. Clique para visitar o canal Dinheiro

Ana Pimentel (www.expresso.pt)

Facilitar o acesso da sua família aos cuidados médicos privados. É disto que se trata quando se fala em seguros de saúde. A oferta é múltipla e amplamente publicitada. Mas segundo os especialistas da Deco Proteste, a maioria dos planos é de fraca qualidade. As exclusões, períodos de carência, duração anual e cláusulas abusivas são as principais críticas da Associação Nacional para a Defesa dos Consumidores (Deco). "A duração anual dos contratos, que permite às companhias recusar a renovação se o consumidor precisar de tratamentos prolongados, e as cláusulas abusivas são dois cavalos de batalha da associação de consumidores", diz o artigo publicado na "Dinheiro & Direitos", de Junho. A Deco admite avançar com uma ação judicial, se as seguradoras não corrigirem os contratos. O limite de idade era uma crítica antiga da associação, mas pode estar prestes a terminar. O Instituto de Seguros de Portugal colocou em consulta pública o anteprojeto do decreto-lei, que permitirá a subscrição de seguros de saúde com cobertura vitalícia a preços mais acessíveis.

Antes de contratar, opte pela modalidade que mais lhe convém: reembolso, assistência (co-pagamentos na rede convencionada) ou mista. Há sempre algo que tem de pagar. Nas consultas de especialidade, por exemplo,uma parte da despesa é paga por si, através de um co-pagamento ou reembolso, consoante seja atendido dentro ou fora da rede de cuidados médicos da companhia. Regra geral, cada produto tem à sua disposição três ou quatro pacotes de coberturas, do mais básico e económico ao mais caro e complexo. A "hospitalização" paga despesas de valor elevado, como cirurgias e diárias hospitalares. A "ambulatório" garante o pagamento de consultas, mas pode excluir as de psiquiatria, exames de rotina, fisioterapia, entre outras. A "estomatologia" cobre consultas e tratamentos dentários, exceto aparelhos de correção. Já a cobertura de próteses e ortóteses paga óculos, lentes de contacto, aparelhos auditivos, entre outros. Além das exclusões específicas de cada cobertura, regra geral, as apólices excluem doenças existentes antes da contratação. Tratamentos relacionados com o consumo de álcool ou drogas, de fertilidade ou sida, cirurgias estéticas. Doenças psiquiátricas ou epidémicas também não se incluem.

Em detalhe

A "Dinheiro&Direitos" contactou as 12 seguradoras do ramo Acidentes e Doença com maior quota de mercado em 2008, segundo os dados da Associação Portuguesa de Seguradores, para saber que produtos de saúde disponibilizam. Responderam nove.

O Allianz Saúde tem quatro opções decoberturas: da Hospitalização ao Dental. Dentro da rede da seguradora, co-paga €15 por consulta e €30 pelas urgentes. Fora, a Allianz comparticipa 80% do custo de ambas, se forem despesas com pré-comparticipação. Na AXA, tem à sua disposição o Vitalplan, em duas modalidades: Managed Care e reembolso. A primeira tem quatro pacotes: Essencial, Equilíbrio, Pleno e Unique. A modalidade de reembolso disponibiliza apenas o Advantage, que cobre assistência médica hospitalar sem parto, subsídio diário e rede Bem-Estar. No Vitalplan, não tem limite de permanência, co-paga €25 por consultas de urgência e €12,50 pelas outras, dentro da rede. Fora da rede, comparticipa 80%.

A Fidelidade Mundial e Império Bonança comercializam o Multicare, com cinco pacotes de coberturas: do Base ao Personalizado B. Só pode manter o seu seguro de saúde até aos 70 anos e paga €12,50 por consulta dentro da rede. Fora, a Multicare comparticipa 50%. Andante, Moderato, Allegro e Maestoso são as quatro opções do + Saúde Familiar, da Generali. Este permite o acesso à Rede SimpifiCare: serviços de saúde privados em assistência médica ambulatória e estomatologia, com custos controlados. Na Generali, pode permanecer segurado até aos 75 anos, se contratar o + Saúde Familiar até aos 45 anos. Comparticipa 100% das consultas dentro da rede, sendo que fora comparticipa apenas 60%. Os co-pagamentos são de €12,50 para consultas e €35 para episódios de urgência.

Na Lusitania, tem duas opções: Pleno e Livre. Se as subscrever antes dos 50 anos, não tem limite de permanência. Entre os 50 e os 60, só é segurado até aos 70 anos. O Pleno tem três pacotes de coberturas, com possibilidade de dobrar capitais. O Saúde Livre tem três modalidades idênticas às do Pleno, mas com capitais mais elevados. O primeiro comparticipa 100% da assistência ambulatória dentro da rede, mas reembolsa apenas 55%, fora. O Livre comparticipa 85% da mesma cobertura. A Ocidental Seguros comercializa o Plano de Saúde Médis, com três opções de capitais. Se contratar a opção 1 depois dos 55 anos, pode permanecer no seguro até aos 65 anos. Caso o faça antes ou subscreva a opção 3, não tem limite de permanência. A Médis tem também duas soluções para clientes seniores (disponíveis para subscrição entre os 55 e os 75 anos e sem limite de permanência), que cobrem o subsídio de hospitalização, assistência ao domicílio, entre outras. A Medis comparticipa 35% da assistência ambulatória fora da rede e 100%, dentro, após o co-pagamento. Este é de  €15 nas consultas de especialidade e €37,50 nas urgências. O Zurich Saúde tem uma estrutura igual à da Médis.

Na Tranquilidade, há sete opções (Sorriso, Light, Essencial, Valor, Exclusivo, Prestígio e Extra Care). Aqui, co-paga €13 por consulta e €25 pelas de urgência. A seguradora comparticipa 90% da assistência ambulatória dentro da rede e 55% fora, exceto na opção Prestígio, em que as percentagens sobem para 100% e 70%. A Tranquilidade desenvolveu um pacote para seniores, sem limite de permanência.

 

Chegaram a Portugal em março, através da Europamut. Contudo, ainda só são facultados a familiares dos colaboradores de uma empresa que tenha estabelecido um contrato com a MGEN (Mutuelle Générale de l'Education Nationale) ou a familiares dos membros de um sindicato ou associação que tenha estabelecido um acordo protocolar. A comercialização para famílias foi suspensa por dificuldades informáticas. "Estamos a analisar a situação para definir o momento ideal para lançamento dos produtos destinados a Individuais/Famílias", diz Vasco Mendes, administrador da Europamut. As mútuas não têm fins lucrativos e opõem-se à discriminação. Os seus seguros de saúde não exigem formalidades médicas à entrada nem excluem aderentes devido à sua idade, sexo, estado de saúde, entre outros. A garantia de seguro é vitalícia, desde que sejam cumpridas as obrigações contratuais. Excluídas ficam as despesas causadas por consumo excessivo de álcool, estupefacientes e narcóticos, tratamentos de cirurgia estética, emagrecimento, doenças profissionais, entre outros. Têm três opções de capitais. O primeiro pacote cobre hospitalização, ambulatório e parto. O segundo aumenta capitais e inclui estomatologia, medicamentos, próteses. O último inclui todas as coberturas da opção anterior com capitais superiores. Estes seguros têm um período de carência de três meses, para doença. Sobe para dez meses, se precisar de uma cirurgia às varizes, por exemplo. Para ser operado aos ouvidos, nariz e garganta, entre outros, tem de esperar 12 meses. Segundo a informação já disponibilizada pela MGEN, se uma família de três pessoas (pai e mãe com 30 anos e filho com cinco anos) contratasse a versão-base do seguro, pagaria €853,07 por ano. A opção 2 ficaria a €1386,24 e a última subiria para €2132,67.

Texto publicado na edição do Expresso de 3 de Julho de 2010.