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Crianças: finanças em pequena escala

Aproveite o Dia Mundial da Criança e dê ao seu filho um presente para toda a vida: ajude-o a aprender as competências do dinheiro. O exemplo parte de si. Clique para visitar o canal Dinheiro

Ana Pimentel (www.expresso.pt)

Se é importante ensinar as crianças a lidar com o dinheiro desde cedo? Susana Albuquerque, secretária-geral da ASFAC - Associação de Instituições de Crédito Especializado, diz que sim. "Para se tornarem adultos financeiramente auto-suficientes têm que aprender as competências do dinheiro desde a mais tenra idade", adianta.

Gerir um orçamento, saber como gastar o dinheiro, poupar, investir, desenvolver espírito de iniciativa, ser-se pago por aquilo que se vale, gerir o crédito ou como doar são algumas das competências com que pode brindar o seu rebento. Para dominar estas competências, deve conhecer os instrumentos e as técnicas associadas às mesmas. "E isso ensina-se e aprende-se, não é de todo inato", acrescenta.

O período é de contenção, diz o Estado e dizem os números do desemprego. Por isso, há 3 aspectos mais urgentes a ter em conta: a noção de caro e barato, distinção entre vontade e necessidades e a importância do controlo de gastos. "Um dos princípios mais eficazes de gestão financeira é o de viver sempre abaixo do nosso nível de rendimentos", comenta Susana Albuquerque. Por isso, é importante que os mais pequenos participem na definição do orçamento familiar. Assim, percebem para onde é canalizado o dinheiro e sentem-se mais responsáveis pelo seu cumprimento.

"Uma ida às compras é sempre um bom momento para ensinar a ver o que é caro e menos caro, avaliar a relação qualidade/preço e perceber se vale a pena gastar mais dinheiro em determinado produto", adianta. No que toca à distinção entre o que se quer e o que é necessário, Susana Albuquerque aconselha um exercício muito simples, que é responderem às questões: preciso mesmo disto? Quando é que vou usar isto? Onde é que vou arrumar?

A poupança é outro aspecto importante. Mas deve ajudar o seu filho a definir objectivos para a mesma. Outra regra de ouro é a de poupar à cabeça e de forma automatizada e regular. "Mais importante do que aquilo que se poupa é a regularidade com que o fazemos", diz Susana Albuquerque. Segundo a secretária-geral da ASFAC, a melhor forma de ensinar isto às crianças é criando 3 mealheiros transparentes e explicar-lhes como poderão dividir o dinheiro por mealheiros. Um serve para poupar, outro para gastar e outro para doar. Ao receber a semanada ou mesada, a criança deve dividi-la por estes mealheiros, consoante a importância que dá a cada uma das áreas. "As crianças são muito concretas e gostam de ver o dinheiro crescer", comenta.

Controle os impulsos Ensine as crianças a distinguir o que compra porque "quer" do que compra porque "necessita". O consumo por impulso deve ser controlado. Por isso, mostre-lhe como elaborar uma lista de compras e segui-la no supermercado. Explique as diferenças Indique as diferenças entre coisas "caras" e "baratas", quando forem às compras e em ambientes diferentes, como padarias, farmácias, papelarias, entre outros. Explique-lhe como funcionam os descontos, os cartões de crédito e a contar o troco. Dê uma semanada A importância de não desperdiçar e gerir o dinheiro pode ser explicada através da atribuição de uma semanada, por volta dos 5, 6 anos. Isto ajudará a criança a tomar decisões e a fazer escolhas em pequena escala, mas não deve ser excessiva Faça um cálculo dos gastos das crianças, para definir qual o valor da semanada ou mesada e fixe um dia para o pagamento. Lembre-se: você é o exemplo. Exemplos reais Explique ao seu filho que tipo de trabalho realiza, para que estabeleça uma relação entre o ganho de dinheiro e os limites do seu uso. Ajude-a a participar no orçamento familiar, incentivando-a a dar sugestões sobre como reduzir as despesas. Em vez de dizer-lhe que não pode comprar algo, explique-lhe que parte do orçamento destinou para essa categoria, que já gastou ou que não chega para essa compra. É importante doar A responsabilidade social e a ética devem estar sempre presentes no uso do dinheiro. Por isso, ensine o seu filho a doar e resista à tentação de lhe dar muitos presentes. Dê apenas nas condições mais propícias. Obrigações não dependem do dinheiro Não estabeleça relações entre o desempenho escolar e o dinheiro. Os resultados menos positivos não devem ser punidos com suspensão da semanada, porque ter boas notas é um objectivo pessoal. Acontece o mesmo com as tarefas domésticas, que devem fazer parte das obrigações familiares das crianças, não devendo ser condição para a semanada ou mesada, pois a criança pode recusar a cumpri-las caso não precise de dinheiro. Cumprir os limites Os avós são parte essencial da educação financeira da criança. Explique-lhes as razões de se imporem limites e peça-lhes que colaborem. Não se atormente se não der ao seu filho tudo o que ele pede, ajuda-o a tornar-se um adulto responsável. Poupar e investir Ensine as crianças a serem objectivas, discutindo assuntos económicos no seio familiar. Explique-lhes a importância de investir propondo uma meta de investimento e incentivando-as a alcançá-la.