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Em busca da felicidade no trabalho

Colaboradores mais felizes trazem maior produtividade às empresas. Saiba como uma mudança profissional pode melhorar o seu bem-estar.

Ana Pimentel (www.expresso.pt)

As mudanças profissionais trazem maior felicidade aos colaboradores. Quem o diz é a Boyden Global Executive Search, no estudo "Contributo da Mudança Profissional para a Felicidade dos Candidatos". A consultora pretendeu apurar a opinião dos candidatos admitidos em processos conduzidos por si, sobre a forma como a mudança poderia reforçar a felicidade. Resultado: 80% dos candidatos admitem estar "mais felizes" na sua nova função.

"Estas pessoas, estarão na disposição de trocar o seu talento já não só por dinheiro mas antes por uma ocupação que lhes permita realizar as necessidades específicas dos níveis do ser, ou seja, mais espirituais. Este segmento, cada vez mais numeroso, irá querer ser feliz nas organizações, sentir propósito naquilo que faz, fazer parte de algo que considerem ter um propósito superior e útil", adianta Fernando Neves de Almeida, presidente da Boyden Portugal. Na verdade, quando os candidatos foram questionados a propósito do que procuravam na sua nova função, 61% dos gestores afirmou "desafios" e "projectos aliciantes" em "empresas de qualidade". Apenas 4% referiu a "melhoria de salário".

Mais felicidade, mais produtividade

"Uma grande parte do nosso tempo útil é passado a trabalhar. Assim, um trabalho onde não nos sentimos motivados ou realizados, onde não encontremos sentido ou propósito, não contribui para o nosso bem-estar geral", diz Fernando Neves de Almeida. O presidente explica que quando se trabalha unicamente pela necessidade de receber o salário ao fim do mês, o nível de satisfação é mais reduzido. "Arriscaria mesmo dizer que provoca um desequilíbrio na nossa vida que vai alem do horário em que se está a trabalhar", adianta. E acrescenta que existem estudos que demonstram que colaboradores mais felizes são sinonimo de maior produtividade nas empresas. Mas mesmo que não existissem, Neves de Almeida pensa que essa realidade é acessível apenas pelo senso comum.

"Por devoção ou gosto pelo que se faz, os níveis de produtividade tendem a ser mais elevados de uma forma continuada. É óbvio que existem situações onde a produtividade pode ter picos através de pressão. No entanto, a investigação mostra que não poderão ser muito duradouros e que se forem muito prolongados, a pressão terá de ser sucessivamente maior até ao limite do 'estouro'", comenta.

E, quando o pessimismo invade as equipas, o que há a fazer? Neves de Almeida explica que cada caso é um caso e que só conhecendo a situação concreta poderia emitir uma opinião. Contudo, afirma que o papel da liderança é extremamente importante para manter a "moral das tropas" a um nível adequado.

O estudo da Boyden englobou respostas de 56 candidatos Boyden admitidos no 2º semestre de 2009. Dos 56 gestores admitidos, 40% ocupam cargos de Direcção Técnica e 22% chefiam posições Comerciais e de Marketing. As Direcções gerais e Administração representam 18% deste universo e a vertente Financeira 16%. Para 49% dos gestores, o impacto profissional é uma franca "evolução profissional", enquanto que 21% aponta "o aumento de responsabilidades".

 

Conhecer melhor As empresas devem procurar conhecer melhor os seus colaboradores e antecipar situações de desmotivação. Redefinir critérios Também devem "centrar mais os critérios de recrutamento em factores com o match entre a estrutura motivacional dos candidatos e a função e menos sobre o match de competências técnicas para a função". Saber os propósitos É importante garantir que todos conhecem o propósito da empresa e a sua contribuição para o macrocosmos onde está inserida e, dentro desse propósito, saber qual é a contribuição de cada um. A felicidade esta muito relacionada com o sentido ou propósito que cada um tem na vida. Reconhecer a evolução As chefias devem garantir que todos na empresa sentem que estão a evoluir no sentido de se tornarem mais competentes, não só no trabalho, como na vida em geral. Isto implica um programa estruturado de desenvolvimento individual. Todos iguais Garantir que existe equidade interna no que respeita a salários, prémios e oportunidades de carreira. "Vários estudos indicam que a falta de equidade é um dos principais factores que minam a felicidade", conclui.