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Carreira: E depois dos 50?

"Estou desempregado aos 50 anos, e agora?" Conheça algumas dicas para se manter no activo, quando ainda tem muito para dar ao mercado de trabalho, mas a experiência pede um ordenado mais elevado. Clique para visitar o canal Dinheiro

Rute Gonçalves Marques (www.expresso.pt)

Receber a notícia de que se está despedido não é fácil para ninguém, mas mais complicado é para quem já tem mais de 50 anos. A consciência de que as oportunidades de trabalho para quem já está na meia-idade são mais escassas do que para quem está agora a entrar no mercado de emprego, pode ser uma verdadeira dor de cabeça. Após despender metade da vida a trabalhar, a acumular experiência válida, estes profissionais são descartados, como se já não houvesse lugar para si no mercado de trabalho. Segundo os dados do INE relativos ao primeiro trimestre do ano, 9,1% dos adultos entre os 45 e os 64 anos estão sem emprego. Apesar de não serem a faixa etária mais afectada por este flagelo, é aquela em que é mais difícil regressar ao activo. "Face à conjuntura económica actual, muitas das empresas aproveitaram o momento para chegar a acordo com alguns colaboradores, propondo-lhes reformas antecipadas", explica Sandrine Verissimo, senior manager da empresa de recursos humanos Hays. Porém, estes profissionais ainda estão longe da idade da reforma, mas já requerem um salário adequado à sua experiência profissional. E esta é uma factura que grande parte das empresas não estão dispostas pagar.

Combater o despedimento

Regressar ao mercado de trabalho pode ser complicado e, muitas vezes, acontecer em circunstâncias não desejadas. "Apesar de terem construído carreiras consolidadas, estes profissionais disponibilizam-se para desenvolver funções mais operacionais, ou mesmo em nível hierárquico inferior", confessa a especialista. "A razão prende-se não só com a ausência de oferta no mercado de emprego, tendo em conta o afunilamento natural nas estruturas para estas funções, mas também com a fase de vida que atravessam", prossegue a responsável. Por isso, a chave para se manterem no activo, e não serem ultrapassados por um recém-licenciado que irá ganhar metade do seu salário, é o dinamismo. Além da experiência profissional válida, acumulada ao longo de décadas de trabalho, os profissionais devem fazer um esforço para se manterem actualizados, "deve tentar ser criativo e inovador na sua função, demonstrando ser uma mais-valia com provas dadas", prossegue a especialista da Hays. Manter a cabeça aberta é fundamental, demonstrando uma "boa capacidade de adaptação, flexibilidade e resiliência, para acompanhar as constantes mutações do mercado" e estando a par das tendências do sector onde está a operar, "procurando analisar as notícias/informações sobre a área e estabelecendo uma boa rede de contacto/networking". A formação deve ser um factor constante ao longo da sua carreira, uma vez que "os desempregados não qualificados apresentam uma maior dificuldade de regresso ao mercado de trabalho, originada pela falta de especialização", explica a responsável.

Aproveitar o conhecimento

Mas se foi o "infeliz contemplado" com a carta de despedimento, não desespere. Isto não significa que o mundo acabou para si. Um dos primeiros pensamentos que assola a cabeça de quem acabou de ser demitido e não tem perspectivas de encontrar trabalho é abrir o seu próprio negócio. E sim, esta pode ser uma hipótese válida, porém com a actual conjuntura económica, é mais difícil conseguir um crédito junto da banca para ajudar a lançar o negócio. Portanto, a menos que tenha umas poupanças que não se importe de investir para dar o pontapé de saída, esta deverá ser uma hipótese a descartar. Sandrine Verissimo dá duas opções para quem se quer manter activo. Uma hipótese é trabalhar como freelancer dentro da sua área de experiência, já que "pode assim contribuir com o seu know-how para diversas organizações sem ser efectivamente colaborador de nenhuma delas, o que permite ter uma vida social mais activa e manter a visibilidade no mercado". Mas se se sente mais seguro com um contrato, poderá integrar novamente o mercado de trabalho com um vínculo directo a uma empresa. Há companhias que procuram profissionais com larga experiência, "onde a idade não constitui entrave em funções que pressupõem um longo percurso profissional, nomeadamente em cargos de direcção comercial", explica a responsável.