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Aumentos salariais em dieta para 2009

Aumentos salariais em dieta para 2009

Os ordenados não vão engordar muito mais no próximo ano. É o tempo das empresas magras, segundo a Mercer

Ana Pimentel

Em 2009, os portugueses não vão ter aumentos como os do ano anterior, de acordo com um estudo da consultora Mercer. No primeiro semestre do ano, a consultora analisou mais de 84 mil postos de trabalhos em 270 empresas presentes no mercado português, para apurar as suas tendências de compensação e benefícios. Daí, partiu para as conclusões sobre os aumentos salariais, incentivos de curto e longo prazo e práticas de benefícios. "Verifica-se um crescente desenvolvimento de novas políticas de compensação em linha com os objectivos organizacionais, levando a que as organizações introduzam um conceito de flex benefits, em contraponto às tradicionais componentes fixas de remuneração, menos flexíveis e incapazes de responder à necessidade urgente de motivar e atrair profissionais mais conscientes, especializados e motivados", afirma Paulo Machado, partner da Mercer, no estudo.

Segundo a Mercer, em termos de benefícios, a grande maioria (92 por cento) das empresas prefere atribuir viaturas aos seus colaboradores, 80 por cento oferece planos médicos e 33 por cento atribui-lhes um plano de pensões. No que toca a políticas salariais, a maior parte aponta factores gerais e de mérito como base para os aumentos, sendo que existe a tendência crescente de considerar apenas o mérito individual. Para 2009, a Mercer perspectiva aumentos salariais inferiores aos de 2008. Se juntarmos a isto os últimos dados sobre o desemprego, o cenário não é animador.

Apesar de o Orçamento de Estado do Governo de José Sócrates estimar que a inflação em 2009 seja de 2,5 por cento, a verdade é que Teixeira dos Santos já admitiu que o défice para o próximo ano pode ser de 3 por cento, quando, no orçamento, o fixava em 2,2 por cento. É a velocidade da transformação do clima económico que agora empurra os preços para baixo e coloca a fasquia da inflação nacional nos 1,4 por cento. Boas são outras notícias: a proposta de aumento dos salários da função pública é de 2,9 por cento e o salário mínimo nacional vai atingir os 450 euros. Resta saber como se portará o seu patrão no próximo ano.

Aumentos em queda

Com excepção da categoria "Outros", a Mercer estima que os aumentos salariais desçam em 2009

Ano Variação média salarial
Dir. geral/

Administr.
Dir. 1ª

linha
Chef.

interm.
Quadros

superiores
Técnicos

comerciais
Outros
2008 4,07% 3,85% 3,52% 3,45% 3,29% 3,18%
2009 3,62% 3,46% 3,33% 3,26% 3,28% 3,21%
Fonte: Mercer. Dir. geral/Administr. = Director Geral/Administração;

Dir. 1ª linha = Director de 1ª linha; Chef. Interm. = Chefias intermédias