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O dinheiro não é tudo

O dinheiro não é tudo

Um inquérito realizado pela Nielsen diz que os homens são mais felizes com o dinheiro do que as mulheres

Se você é leitor assíduo da Carteira, é bem possível que, à primeira vista, estranhe o título deste artigo. Afinal, o mote da revista são "ideias para ganhar dinheiro". Mas poucos devem discordar que muito mais importante que as notas que se leva no bolso, é a sensação de bem-estar. Até se costuma dizer que o dinheiro não traz felicidade, mas lá que ajuda...

O mais recente estudo promovido em 51 países do mundo pela empresa de marketing e informação global Nielsen parece querer comprovar a teoria. As conclusões recolhidas das quase 30 mil pessoas inquiridas demonstram que "à medida que a recessão económica se agrava, cada vez mais pessoas se recordam que o dinheiro não consegue comprar a felicidade".

Desde logo, há uma diferenciação entre géneros. O masculino é mais feliz com a carteira recheada, enquanto que o feminino encontra maiores alegrias nas amizades e nas relações familiares, e até mesmo nas relações profissionais. Mais, o Nielsen Happiness Study revela que a nível global, "as mulheres são mais felizes do que os homens em 48 dos 51 países" cobertos pelo estudo. As únicas 3 excepções são o Brasil, a África do Sul e o Vietname, onde o sexo masculino é o mais feliz.

"Como as mulheres são mais felizes com factores não económicos, a felicidade feminina é mais resistente à crise, o que pode explicar porque é que as mulheres dos quatro cantos do mundo são mais felizes, em regra, do que os homens", sublinha Bruce Paul, vice-presidente da Nielsen. A felicidade ajuda a cultivar uma cultura de confiança, daí que "as mulheres são também mais optimistas face ao futuro".

Até em termos de satisfação com a vida sexual, ganham as senhoras, apesar de os homens estarem, em geral, mais felizes com as suas esposas do que elas com os maridos. Na cama, são as japonesas e as neo-zelandesas as mais satisfeitas. Para variar um pouco, diga-se que os homens são mais felizes com a sua saúde física e mental do que as mulheres, com algumas excepções.

De acordo com a Nielsen, há 3 factores principais que influenciam a felicidade: a situação financeira pessoal, a saúde mental e a carreira. E estar satisfeito com a pessoa com quem se tem uma relação amorosa também ajuda. Certo é que "muitos dos mercados mais emergentes e pobres do mundo batem os países desenvolvidos nos níveis de felicidade e satisfação em quase todos os aspectos da vida".

E, surpreendentemente, quando se tenta perceber até que ponto é que as menores desigualdades ao nível da distribuição do rendimento, a baixa corrupção e a paz se traduzem em maior felicidade, o estudo indica que os países com os piores indicadores nestas questões são, muitas vezes, as nações mais felizes. Haja saúde e alegria (e já agora uns trocos no bolso).