Siga-nos

Perfil

Economia

ETF

Solvência dos bancos ingleses na corda bamba

Segundo o Banco de Inglaterra, os balanços das instituições financeiras britânicas continuam desequilibrados e enfrentam riscos crescentes devido à crise na dívida soberana. Saiba como proteger a sua carteira.

Joaquim Madrinha (www.expresso.pt)

Os balanços dos bancos ingleses estão à mercê do humor dos investidores. Segundo o Banco de Inglaterra (BI), "se a preocupação com risco soberano aumentar ou se o apetite pelo risco dos investidores continuar a diminuir, o preço dos activos pode cair ainda mais", disse a autoridade monetária inglesa.

As preocupações surgem devido aos instrumentos derivados que, segundo o BI ascendia a 40% do total de activos detidos pelos bancos no final de 2009. "Isto poderá ter um grande impacto na solvência dos bancos ingleses e do mundo", lê-se no relatório semestral do BI sobre a estabilidade do sistema financeiro. Em Junho, as perdas de valor dos activos detidos pelos bancos mundiais ascenderam a 7,8 biliões de dólares, quando em Março se tinham cifrado em 4,5 biliões.

Aumentos de capital precisam-se

Para o BI, a crise da dívida soberana no continente europeu aumentou a instabilidade do sistema financeiro britânico e está a obrigá-los a angariar mais capital de forma a protegerem-se da perda de valor dos activos cotados. "A velocidade com que a crise grega se espalhou a outros países acentuou as debilidades do sistema financeiro mundial", disse o BI, sublinhando que "os bancos britânicos enfrentam um enorme desafio e que devem manter-se resilientes neste período difícil."

Ainda assim, o banco afirmou que a exposição directa da banca britânica à divida grega e de outros países periféricos da Europa é modesta quando comparada com a exposição aos restantes países da região. "Os bancos ingleses estão particularmente expostos à banca francesa e alemã que, no conjunto, representam cerca de um quarto da exposição total", disse o BI, frisando que "a banca inglesa enfrenta um risco crescente de contraparte, devido à exposição que têm a outros bancos europeus."

Prepare a sua carteira

Face aos avisos do banco central inglês e tendo em conta que o risco de bancarrota da Grédia e de Portugal continuam a aumentar de dia para dia, é prudente tomar algumas medidas contra uma possível segunda onda de perdas nos mercados de capitais, tal como têm vindo a avisar especialsitas como Tim Howkins.

À margem da inauguração do escritório da IG Markets em Portugal, o CEO do IG Group, afirmou esperar um segundo crash bolsista no segundo semestre do ano. "O mercado precisa de descontar todas as más notícias e ainda não conhecemos todas as más notícias", disse Howkins, sublinhando que os principais problemas são a crise da dívida pública e a situação dos bancos.

Face a estas recentes notícias, a volatilidade estará novamente em voga na segunda metade do ano, tal como o sector financeiro cuja tensão poderá ser capitalizada através dos reverse exchange-traded funds sobre o sector financeiro.

Adicionar o Proshares UltraShort Financials ou o Direxion Daily Financial Bear 3x Shares é uma boa forma de proteger a sua carteira contra as más notícias que poderão surgir no segundo semestre do ano. Há, no entanto, alguns cuidados a ter.

Ambos ETF são alavancados o que lhes confere uma enorme volatilidade. O primeiro varia 2 vezes o inverso do desempenho do índice DJ US Financial Index, enquanto o segundo replica o inverso do desempenho do índice Russel 1000 Financial Services, mas a triplicar. É verdade que os índices subjacentes aos dois produtos são norte-americanos, no entanto, se os bancos europeus tiverem algum problema, o efeito globalização encarregar-se-á de afectar os congéneres norte-americanos, tal como aconteceu nos bancos europeus aquando da falência do Lehman Brothers.

Há também que contar com o efeito cambial, dado que ambos produtos são cotados em dólares.