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Portugueses estão menos consumistas

O Governo mandou apertar o cinto e o crédito ao consumo das famílias já caiu 4,5%. Se precisa deste recurso para consumir, saiba como evitar as armadilhas do incumprimento. Clique para visitar o canal Dinheiro

Ana Pimentel (www.expresso.pt)

Nos primeiros 3 meses do ano, as famílias pediram menos crédito para consumir. A quebra é de 4,5%, entre Janeiro e Março, face ao período homólogo, segundo os dados divulgados pela ASFAC - Associação de Instituições de Crédito Especializado. Apesar de os portugueses terem contraído menos créditos, as associadas da ASFAC concederam cerca de 1,24 milhões de euros durante o primeiro trimestre de 2010, mais 13% do que no mesmo período do ano anterior. Contudo, esta subida deve-se ao segmento doa fornecedores, que pediram mais dinheiro emprestado às financeiras. Aqui, o crédito cresceu 47% nesses 3 meses. "Há dois factores que têm contribuído decisivamente para a queda na concessão de crédito ao consumo. São eles o aumento do desemprego e a diminuição do rendimento disponível por parte das famílias. Em muitos casos, o primeiro factor leva ao segundo, mas nem sempre, já que com o custo de vida mais elevado as pessoas abrandam no consumo", explica Menezes Rodrigues, presidente da ASFAC. Depois de a OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, ter confirmado que a taxa de desemprego em Portugal bateu novo recorde em Abril, atingindo os 10,8% da população activa, sabe-se que o crédito clássico (financiamento de bens ou serviços, em que a aquisição é efectuada por um consumidor final e cujo crédito tem um plano de amortização rígido e pré-definido), caiu 3,8%, face ao período homólogo. Estarão os portugueses a consumir menos ou as estarão os bancos / financeiras mais exigentes? Menezes Rodrigues explica que tanto as financeiras como os consumidores podem ser responsáveis pela diminuição do recurso ao crédito. "Por um lado, a conjuntura económica e financeira levou a que os portugueses tenham reduzido o seu consumo, como consequência, o recurso ao crédito também diminui. Por outro lado, os critérios de análise de risco ao crédito são cada vez mais exigentes e as informações disponíveis sobre o potencial ciente também têm vindo a evoluir bastante", acrescenta.

Prioridade: comprar carro O crédito clássico representa 41% do total dos montantes financiados pela ASFAC e somou 508 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Cerca de 92% deste tipo de crédito é concedido a particulares e apenas 8% a empresas. Há 595 mil portugueses desempregados em Portugal. A maioria dos empréstimos concedidos destinou-se à compra de meios de transporte (75%), sendo que 14% serviu para adquirir artigos para o lar e 8% para crédito pessoal. O empréstimo hipotecário teve uma quebra de 96%, face ao trimestre homólogo. "O crédito pessoal e financiamento lar tiveram descidas de 20% e 17%, respectivamente", adianta Menezes Rodrigues. Nos primeiros 3 meses do ano, celebraram-se mais de 112 mil contratos deste tipo de crédito, menos 18% do que o valor registado no período homólogo. Destes, 98% foram estabelecidos com particulares, sendo que, em média, cada contrato de crédito ao consumo foi de 4.522 euros, valor superior ao mesmo período de 2009. Quem depende do crédito para consumir bens e serviços de valor elevado, há aspectos que não pode descurar. As financeiras podem ser uma boa ajuda para adquirir o que necessita, mas deve procurar, sempre, evitar o incumprimento.

Bens necessários Antes de recorrer ao crédito, é fundamental perceber se precisa mesmo desse bem ou serviço e se tem capacidade financeira para o fazer. O sítio da ASFAC disponibiliza-lhe um simulador para esse efeito.

Proteja o crédito A subscrição de um seguro de protecção ao crédito, para evitar incumprimento em casos imprevisíveis, como o desemprego e a doença, também é muito importante.

A tempo e horas Há que cumprir sempre com o pagamento das prestações na data acordada, para evitar o pagamento de juros de mora. Sempre que verificar que não consegue fazer face às despesas, deve entrar, imediatamente, em contacto com a instituição financeira.

Empréstimos para pagar empréstimos Não esquecer que nunca se deve recorrer ao crédito para pagar outro empréstimo. A espiral do sobreendividamento começa, várias vezes, desta forma. Contacte a instituição para estabelecerem um plano de pagamento adequado às suas possibilidades.

A lei do crédito Nunca perca de vista os 5 mandamentos para quem recorre ao crédito: investigar e comparar diferentes propostas, fazer perguntas sobre as condições do crédito, ler sempre todo o contrato, não assinar nada que não entenda na totalidade e pedir uma cópia do mesmo.