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Japão: o sol nasce mais forte

O mercado desenvolvido que mais ganhos bolsistas apresenta em 2010 é também uma das apostas fortes das casas de investimento para o futuro, depois de um longo marasmo económico. Clique para visitar o canal Dinheiro

Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Tem doze vezes mais população que Portugal, uma economia com um produto interno bruto que só num trimestre multiplica por 28 o alcançado nos últimos três meses em Portugal, mas os últimos dez anos têm sido de um longo adormecimento para o Japão. Aquele que ainda é o país com a segunda maior economia do mundo, tem hoje praticamente o mesmo nível de preços que tinha em 1992 e o crescimento médio desde 2000 atinge uns baixos 0,7%, menos do que o crescimento médio do produto dos Estados Unidos da América neste período, 1,8%, e do registado pela Zona Euro, 1,2%.

Agora, elogios não têm faltado à economia nipónica, depois de ter crescido 4,9% no primeiro trimestre de 2010. "Esperamos que a recuperação no Japão continue forte nos próximos trimestres", lê-se numa nota do Danske Bank de análise aos dados macroeconómicos japoneses de ontem, números que, segundo o banco, foram impulsionados pela procura doméstica sustentada na melhoria do mercado de emprego, na recuperação dos lucros das empresas e no estímulo governamental.

Mas há mais elogios ao país do sol nascente que tem actualmente uma taxa de desemprego de 5% que contrasta com os 10% da Zona Euro e os 9,90% dos EUA. "O Japão bateu Hong Kong e continua a prometer nos próximos meses", indicavam os analistas da gestora de fundos germânica DWS em Abril que constatavam o bom desempenho do país nos mercados accionistas. De facto, o Japão é o melhor país desenvolvido em 2010 no que diz respeito a retornos bolsistas. O índice Topix, que junta mais de 1600 empresas nipónicas, ganhou mais de 19,70% desde o início de Janeiro e está entre os melhores 25 índices de um leque de 93 índices mundiais mais relevantes em todo o planeta.

O Japão tornou-se mesmo, a bolsa mais gratificante entre as mais importantes economias nos últimos cinco anos. O índice Nikkei, que restringe a 225 o número de acções japonesas que engloba, subiu 2,28% em euros anualmente, neste prazo, enquanto as acções norte-americanas, medidas pelo índice S&P 500, caíam 1,74% por ano, e as 50 maiores empresas da Zona Euro derrapavam mais de 3,30% anualmente, envoltas na crise de dívida pública que tem arrastado os mercados.

Os analistas não ignoram o potencial japonês. "As nossas regiões preferidas são o Reino Unido, Japão e mercados emergentes", escreveu Robert Buckland, analista do Citigroup no documento "Global Economic Outlook and Strategy", que traça o rumo da estratégia nos mercados do banco norte-americano, divulgado ontem. O "Citi" indica mesmo que o Japão foi a economia a sofrer a revisão em alta de 2,2 pontos percentuais nas estimativas de crescimento para 2010, enquanto reduziam em 0,6 pontos o crescimento esperado na Zona Euro.

Fundos ficam bem na fotografia

O mercado accionista japonês tem como pesos-pesados nomes bem conhecidos. As marcas de automóveis Toyota, Honda e Mitsubishi, bem como a marca de equipamento de imagem Canon e FujiFilm são alguns dos maiores nomes na bolsa de Tóquio, a par das grandes instituições financeiras Mitsubishi UFJ Financial Group e Sumitomo Mitsui Financial Group, mas há muitos mais empresas a ajudar os fundos de investimento que apostam no país.

O Schroder ISF Japanese Equity Alpha é o fundo de acções japonesas com o melhor desempenho nos últimos 12 meses, 34%, através da forte aposta em materiais e distribuição, mas o melhor desempenho no longo prazo cabe ao Fidelity Japan Advantage, com um risco abaixo da média dos fundos que investem naquele país e com a vantagem de ter o iene como moeda de investimento.

Em Portugal, são comercializados mais de 70 fundos de acções que investem em acções de grande capitalização no Japão, mas só alguns têm mostrado mais fibra para ultrapassar a estagnação dos últimos anos. Os dois fundos portugueses Millennium Acções Japão e Caixagest Acções Japão estão a contabilizar perdas entre os 3,49% e os 2,43% anualmente nos últimos cinco anos, mas o fundo gerido pela Caixagest tem o segundo melhor retorno nos últimos 12 meses, com 24,93%.