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Boas e Baratas resistem à crise

Apesar da crise soberana que está a afectar os mercados, a estratégia accionista do Dinheiro mantém o rumo ganhador. Desde Agosto de 2003, as "Boas e Baratas" acumulam um ganho anual de 11,80%. Clique para visitar o canal Dinheiro

Joaquim Madrinha (www.expresso.pt)

A crise que está a afectar a Grécia e ameaça contagiar outros países da Europa fez despoletar a volatilidade nas bolsas. Por enquanto, o medo concentrou-se na Europa, o que explica a valorização do índice de acções do mundo, MSCI World, durante o mês de Abril. O portefólio das "Boas e Baratas" tem sentido os solavancos do mercado. No entanto, a diversificação sectorial e geográfica da carteira tem conseguido evitar males maiores para resultado da estratégia, que acumula já um ganho anual de 11,8% desde Agosto de 2003, apesar da perda mensal de 1,69%.

Valorização do dólar ajuda

A concentração da crise no continente europeu teve um efeito imediato no valor da moeda da Zona Euro. Desde o início do ano, o Euro já perdeu 12,5% para o dólar. No entanto, esta valorização da moeda norte-americana face à europeia até beneficiou o desempenho dos títulos cotados do outro lado do atlântico.

O desempenho mensal da "Boa" Petrobras é um exemplo. O preço dos títulos da petrolífera brasileira cotada em Nova Iorque, via American Depository Receipt (ADR), perderam quase 3% em dólares durante o mês de Abril, mas como a contabilidade é realizada em euros, a perda mensal desce para 0,85%. Este fenómeno teve também influência positiva nos títulos da "Boa" Raytheon e da "Barata" Norfolk Southern.

A mesma sorte não teve a francesa EADS. A fabricante dos aviões Airbus, além de sofrer o efeito sistémico da crise grega, foi penalizada pela nuvem de cinza vulcânica que invadiu os céus europeus e terminou o mês a perder 5,81%.

Perigo de contágio

As empresas de nacionalidade portuguesa e espanhola sofreram na cotação os efeitos de um possível contágio da situação grega. Os títulos da empresa de construção Mota-Engil perderam mais de 16% no mês passado devido ao possível adiamento de algumas obras públicas, enquanto as acções da retalhista Sonae resvalaram mais de 6%. A única excepção foi a EDP, cujos títulos valorizaram mais de 8%.

Em Espanha, outro país na mira dos investidores, os títulos do banco Santander e da operadora de telecomunicações Telefonica resvalaram quase 3%, enquanto as acções da Gas Natural perderam mais de 5%. Mas, também aqui houve uma excepção. Depois de atravessar um período conturbado, os títulos da empresa de construção OHL mantiveram-se quase inalterados depois de terem registado um ganho superior a 30% em Março.

No cômputo geral, a estratégia "Boas e Baratas" registou uma perda mensal de 1,69%, enquanto o índice de acções do mundo MSCI World valorizou cerca de 2%.

Boas e Baratas

-2.95%

-0,85%

4,71%%

-2,94%

-16,53%

8,24%

-1,46%

-6,14%

-5,81

8,63%

-5,78%

0,63%% Fonte: Bloomberg. Rendibilidades em euros. 30 Abril de 2010.

A estratégia B&B teve início em Agosto de 2003 e é composta por acções escolhidas de acordo com critérios matemáticos. A próxima revisão do portefólio de títulos será realizada em Setembro de 2010.