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Crise pára centros comerciais

Dos 11 novos centros comerciais previstos para 2010, só metade deverão abrir as portas público.

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

Do total de 11 centros comerciais previstos para 2010, só abrirão metade. "Na situação actual é preciso cuidado e apurar se as empresas que lá colocam as lojas estão em condições para investir", aconselha António Sampaio de Mattos, presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC).



"Com a crise económica, o consumo diminuiu e começa a notar-se uma certa saturação do mercado", afirma Eduardo Fonseca, director de retail na consultora imobiliária Aguirre Newman. Para este especialista, "os investimentos abrandaram até surgirem tempos melhores. Alguns projectos de centros comerciais serão abandonados e outros convertidos noutro tipo de imóveis, por exemplo, centros de escritórios".

O abrandamento dos investimentos está bem patente de norte a sul do país, com o atraso na construção do Dolce Vita Braga (50 mil m2) e do Aqua Portimão (35 mil m2). Em Leiria, a Multi-Development desistiu do projecto de abertura de um novo centro comercial depois de ver aprovado o empreendimento da concorrente Sonae Sierra. "Não havia mercado para dois novos centros comerciais", explica Benno Van Veggel, presidente-executivo da empresa. Em contrapartida, o mesmo responsável prevê o arranque, ainda este ano, do Fórum Setúbal (45 mil m2), do Fórum Alverca e a expansão do Fórum Algarve (mais 15 mil m2), em 2011.



Sampaio de Mattos antevê futuro promissor para o que chama "centros comerciais de conveniência, espaços com 8, 10 e 12 mil m2, mais próximos das populações. Não devem aparecer centros comerciais com mais de 100 mil m2".



"Só a Ikea acredita em espaços com mais de 100 mil m2", acrescenta Benno Van Veggel, para quem o mercado português será caracterizado por "uma mistura de centros médio-grandes".



Confrontado com uma densidade média superior à média europeia - 262 m2/1000 habitantes, contra 195 m2/1000 habitantes - e à de países como a França, Itália e Alemanha, o presidente da APCC afirma: "Não há forma de dizer que um mercado está saturado. Há sempre a possibilidade de renovar, de expandir ou de introduzir um factor de novidade num centro comercial. Lisboa, Porto e Algarve têm mais capacidade de absorção".



Segundo os dados da consultora Aguirre Newman, em 2009 abriram nove centros comerciais em Portugal, correspondendo a um total de 292.984 m2 de área bruta locável (ABL) e a um crescimento de 12%, face ao ano anterior.

Fenómeno recente

Para Sampaio de Mattos, a existência de muitos centros comerciais em Portugal tem uma explicação simples: deve-se ao facto de o fenómeno "ainda ser recente. Foi em 1985 que se iniciou o desenvolvimento dos modernos centros comerciais, tendo 2003 sido registado como o ano do maior crescimento". A APCC conta com 65 empresas associadas e 69 centros comerciais, 39 galerias comerciais ancoradas em supermercados ou hipermercados e 19 retail parks e factory outlets, com uma área bruta locável total acumulada de 2,9 milhões de m2.



Neste sector existem 9286 lojas de todas as dimensões, que empregam mais de 90 mil pessoas, além de cerca de 200 mil indirectamente, gerando um volume de facturação anual superior a €10 mil milhões.



O desenvolvimento dos centros comerciais começou em Lisboa, no Porto e nas cidades-satélite, expandindo-se para as cidades médias no princípio da presente década. "A apetência que existia era grande. Onde faz sentido, aparece um novo centro para ir de encontro às pessoas", afirma o mesmo responsável.



Indicadores de natureza sociológica, demográfica e económica (nomeadamente o poder de compra) são analisados na tomada de decisão sobre a implantação de novos empreendimentos em determinada cidade. "No Alentejo, por exemplo, é mais difícil. Há cidades que não suportam mais do que um centro comercial. Em Braga e Guimarães perdurou durante muitos anos o hábito de ir ao Porto. Houve um aumento da tendência e, agora, as pessoas já aderiram aos centros comerciais, o que justifica um aumento da oferta", comenta o presidente da APCC.

 

Texto publicado no caderno de economia do Expresso de 29 de Maio de 2010

Fenómeno recente



Para Sampaio de Mattos, a existência de muitos centros comerciais em Portugal tem uma explicação simples: deve-se ao facto de o fenómeno "ainda ser recente. Foi em 1985 que se iniciou o desenvolvimento dos modernos centros comerciais, tendo 2003 sido registado como o ano do maior crescimento". A APCC conta com 65 empresas associadas e 69 centros comerciais, 39 galerias comerciais ancoradas em supermercados ou hipermercados e 19 retail parks e factory outlets, com uma área bruta locável total acumulada de 2,9 milhões de m2.



Neste sector existem 9286 lojas de todas as dimensões, que empregam mais de 90 mil pessoas, além de cerca de 200 mil indirectamente, gerando um volume de facturação anual superior a €10 mil milhões.



O desenvolvimento dos centros comerciais começou em Lisboa, no Porto e nas cidades-satélite, expandindo-se para as cidades médias no princípio da presente década. "A apetência que existia era grande. Onde faz sentido, aparece um novo centro para ir de encontro às pessoas", afirma o mesmo responsável.



Indicadores de natureza sociológica, demográfica e económica (nomeadamente o poder de compra) são analisados na tomada de decisão sobre a implantação de novos empreendimentos em determinada cidade. "No Alentejo, por exemplo, é mais difícil. Há cidades que não suportam mais do que um centro comercial. Em Braga e Guimarães perdurou durante muitos anos o hábito de ir ao Porto. Houve um aumento da tendência e, agora, as pessoas já aderiram aos centros comerciais, o que justifica um aumento da oferta", comenta o presidente da APCC.