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CP e Metro: nova gestão, novas estratégias

José Benoliel na CP e Cardoso dos Reis no Metro deverão seguir novas estratégias que a Tutela tem vido a divulgar, parcialmente, durante o último ano.

J. F. Palma-Ferreira (www.expresso.pt)

Os presidentes do Metro de Lisboa e da CP, respectivamente, Cardoso dos Reis e José Benoliel, preparam-se para desenvolver as estratégias que, aos poucos, de forma parcelar, o Estado, através do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) tem vindo a defender publicamente.

Recorde-se, que no mandato do ministro Mário Lino, as estratégias defendidas para a expansão do Metro de Lisboa, por exemplo, tinham como objectivo o crescimento para os concelhos limítrofes. Agora, já sob a tutela de António Mendonça, essa opção foi contrariada. Na CP, enquanto Mário Lino nunca admitiu a privatização da empresa, António Mendonça já deixou essa opção em aberto.

CP privatizada? 

Na CP, a questão de fundo relaciona-se com a possibilidade das operações da empresa poderem ser privatizadas. Mas também será importante para a nova Gerência da CP saber se o accionista Estado quer desenvolver os acordos feitos com a espanhola Renfe, no sentido de operarem conjuntamente diversas áreas. Estão aqui incluídos vários tipos de operações, desde a Alta Velocidade, até à partilha - ou aluguer - de material circulante para os transportes que a CP e a Renfe assegurem nos mercados português e espanhol (nos segmentos de passageiros e de mercadorias).

Metro muda modelo de expansão?

No Metro, a questão de base relaciona-se com o plano de expansão da rede, que, como já antecipou publicamente, várias vezes, o secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, não seguirá forçosamente a lógica de crescimento para os concelhos limítrofes. Correia da Fonseca já manifestou a preferência pelo crescimento do Metro de Lisboa em malha circular, dentro da zona de maior densidade urbana da capital.

Associar CP e Renfe?

Na CP, o MOPTC também deverá esclarecer como será feita a compra de material circulante. Terá de definir se a CP continuará a comprar novos comboios e carruagens, ou se, em vez disso, deverá alugar material circulante excedentário à Renfe. O Estado terá de dizer à nova Gerência da CP se deve concorrer sozinha, ou associada à Renfe, a novas operações, nacionais e internacionais. Esta definição será igualmente válida para a operação da Alta Velocidade.

Soluções para a dívida histórica

Finalmente, a situação financeira da CP e do Metro terá de ser esclarecida. O crescimento das dívidas das duas empresas dificilmente será suportável, o quer dizer que o Estado terá de anunciar uma solução para a dívida histórica da CP e do Metro. Ao nível operacional, a contratualização do serviço público assegurado - exigida pela União Europeia - também é um assunto prioritário nestas empresas.