Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Conhecidos vencedores dos Prémios Pfizer

A Bolsa Pfizer é o galardão de maior valor (60 mil euros) e foi atribuído a um grupo de cientistas que se propõe estudar a estenose aórtica, doença cardíaca que afecta cada vez mais idosos.

Foram conhecidos hoje, na Faculdade de Medicina de Lisboa, os vencedores do Prémios Pfizer de Investigação 2007, o mais antigo galardão atribuído nesta área em Portugal.

O de maior valor (60 mil euros) é a Bolsa Pfizer de Investigação em Envelhecimento e Geriatria Professor Xavier Morato e foi atribuído ao trabalho "Avaliação da resposta ventricular esquerda à estenose aórtica na população idosa antes e após tratamento cirúrgico: correlações clínicas, morfofuncionais e moleculares". Os autores são Adelino Leite-Moreira, Cristina Gavina, Inês Falcão Pires, Roberto Roncon-Albuquerque Jr., André Lourenço, Antónia Teles e Marta Oliveira, todos investigadores no Serviço de Fisiologia, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A prevalência da estenose aórtica (induz uma sobrecarga de pressão para o ventrículo esquerdo) tem vindo a aumentar em Portugal e noutros países, a par com o aumento da esperança média de vida. Por isso, impõe-se o seu estudo para adequar os tratamentos e diminuir as complicações clínicas, aumentando dessa forma a qualidade e esperança de vida dos doentes. No projecto que foi premiado, os investigadores propõem-se estudar, durante três anos esta patologia. Os resultados serão depois comparados com os obtidos em indivíduos mais jovens de modo a encontrar novas terapêuticas.

Os outros dois galardões (no valor de 20 mil euros cada) distinguiram os melhores trabalhos de investigação clínica e de investigação básica. A distinção na área clínica coube a uma investigação sobre "A avaliação dos marcadores bioquímicos de formação óssea e as suas correlações com os minerais séricos durante o processo de dimensão crítica ao nível da tíbia na ovelha como modelo experimental de investigação em ortopedia". Os autores foram Isabel Dias, Carlos Viegas, Jorge Azevedo, Paulo Lourenço, Emília Costa, Adriano Rodrigues, António Ferreira, Rui Reis e António Cabrita, que estão ligados às Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Coimbra, Técnica de Lisboa, Minho e Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia. Neste caso, a investigação centrou-se na cicatrização de facturas ósseas, muito em particular na tíbia humana. O estudo sugere que há indicadores bioquímicos que podem revelar a probabilidade de complicações futuras na regeneração dos ossos afectados. E essa informação poderá ser valiosa num diagnóstico precoce e na consequente adequação do tratamento.

Por sua vez, o galardão na área da investigação básica distinguiu um trabalho sobre 'A formação dos centrossomas: será preciso um molde?", elaborado por Ana Rodrigues Martins e Mónica Bettencourt-Dias, do Instituto Gulbenkian da Ciência. Este trabalho revelou segredos da formação do centrossoma, a estrutura que regula o esqueleto e a multiplicação das nossas células e que está frequentemente alterada em casos de cancro. Pensava-se que só uma célula poderia dar origem a outra célula e esta investigação mostra que os centrossomas se podem formar sem um modelo, vindos do nada. As duas investigadoras descobriram que para o nascimento de uma nova célula basta que haja um aumento da proteína SAK. A descoberta contraria paradigmas vigentes há mais de um século eu uma das aplicações práticas desta investigação poderá ser a travagem do crescimento de um cancro através da inibição da proteína SAK.

Os prémios Pfizer começaram em 1956 e resultam de uma parceria entre os Laboratórios Pfizer e a Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, responsável pela avaliação e selecção dos trabalhos premiados. Na edição de 2007 receberam 53 candidaturas e, no passado, distinguiram reputados cientistas portugueses como João Lobo Antunes (1960 e 1969), António Damásio (1974) e Alexandre Castro Caldas (1974, 1976 e 1999).