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Clube da bancarrota: duelo Portugal/Roménia continua

Portugal voltou a ultrapassar hoje, na abertura, a Roménia e a ocupar o último lugar do TOP 10 mundial do risco de default (incumprimento da dívida soberana). O duelo pela entrada ou saída neste "clube" continua entre os dois países

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Depois de ontem (28/06), ao longo do dia, Portugal e Roménia terem trocado de posições, disputando por décimas de ponto percentual, o último lugar do TOP 10 mundial de probabilidade de default, o nosso país voltou hoje a assumir a 10ª posição neste "clube" dos países encarados como os de maior risco de incumprimento da sua dívida soberana num futuro próximo.

Esta autêntica "dança", durante todo o mês de Junho, entre o país mais ocidental da zona euro e um dos países do extremo Leste da União Europeia (UE) reflecte a percepção negativa que os investidores institucionais e os especuladores têm das duas zonas críticas da UE - os denominados PIGS (grupo formado por Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), em que Atenas e Lisboa são os mais vulneráveis, e o grupo de países aderentes mais recentes da UE na fronteira oriental, com destaque para Roménia, Bulgária e Hungria.

Não é um jogo cómico

O que pode parecer ao leitor um verdadeiro jogo cómico do entra e sai é, na verdade, o reflexo, neste mercado financeiro, das desconfianças sobre a capacidade de uma parte da UE se aguentar sem uma reestruturação e reescalonamento das dívidas soberanas de alguns membros e da moeda única, o euro, suportar a diferença cambial que, ainda, mantém face ao dólar.

A Grécia, apesar da intervenção do Fundo Monetário Internacional e de Bruxelas, continua a segurar o primeiro lugar do TOP 10 mundial de probabilidade de default, segundo o monitor da CMA DataVision. O que dá uma dimensão da aposta dos especuladores, que olham Atenas (mesmo com a almofada financeira decidida a 7 de Maio) como mais frágil, num horizonte de cinco anos, do que países como Venezuela, Argentina, Paquistão, Ucrânia e Iraque.

O efeito G20

Apesar da benção da última cimeira do G20 (o actual principal fórum de cooperação económica internacional dominado pelas principais potências do antigo G7 e pelos principais países emergentes, como China, Brasil e Índia) ao mecanismo europeu de estabilidade financeira, a aposta dos especuladores não larga a Grécia nem os outros pontos fracos da UE.

Também a clara separação de posições no seio do G7, com a oposição do Canadá ao eixo euro-norte-americano em diversas matérias, e a emergência da Austrália (membro do G20, com posições importantes actualmente no sistema financeiro mundial), dão sinais da alteração em curso na geopolítica que motivam os especuladores a explorar todos os pontos fracos na UE bem como no seio da federação norte-americana (vide o caso dos estados do Illinois e Califórnia que se mantém no TOP 10 mundial do risco de default).